Studio Pausa propõe um respiro em meio à correria em Belo Horizonte
A proposta é de um espaço para corpos possíveis, com seus limites reais, e longe da performance
A capital mineira ganha um espaço voltado exclusivamente para mulheres que querem parar, respirar e ressignificar a relação consigo mesmas. Localizado na Savassi, o Studio Pausa é conduzido pela instrutora de Yoga, Cecília Franco, e oferece encontros em pequenos grupos, com no máximo seis alunas por aula, em um ambiente pensado para acolher histórias de vida, não para performance.
O espaço foi concebido como uma resposta a um cenário de exaustão, burnout, depressão, lutos ainda não elaborados, e outras vivências. A proposta de Cecília se resume no slogan que estampa a comunicação do estúdio: “Isso não é uma aula de Yoga”. “Não é uma aula de yoga no sentido em que se vende hoje, como um desfile de posturas instagramáveis. É um momento de pausa, um processo de cuidado de si em comunidade, meditação, terapia sonora, costurado pela filosofia do yoga”, explica.
Instrutora certificada, com práticas desde a infância, aprendidas com a mãe, Cecília estruturou o Studio Pausa como um contraponto à lógica de performance que tomou conta do cenário de bem-estar, especialmente nas redes sociais. Em vez de salas lotadas e séries de posturas desafiadoras, ela escolheu um formato que privilegia a escuta, a conversa e a observação atenta à cada participante. As turmas são reduzidas, formadas apenas por mulheres, o que, segundo Cecília, é fundamental para criar um ambiente em que seja possível falar de temas como menopausa, maternidade, depressão, ansiedade, sobrecarga e luto, com segurança.
“Tem mulheres que chegam aqui carregando histórias de dor física, de luto, de exaustão, de violência. Elas não precisam de plateia, nem de holofotes. Precisam de um espaço íntimo onde seja possível se vulnerabilizar sem se sentir observada ou julgada”, afirma. Por isso, as aulas experimentais não acontecem em turmas já formadas, mas em grupos que se reúnem de forma inédita para ter a primeira vivência. “O que acontece aqui não é instagramável. Não tem foto de postura perfeita. Têm corpos possíveis, nos seus limites reais. Esse é o compromisso”, completa.
Cada encontro tem 90 minutos de duração e é estruturado com tempo de conversa, prática de yoga e terapia vibracional com o gongo. A conversa inicial, em roda, é parte central do método, pois é ali que Cecília identifica temas, necessidades e estados emocionais que vão orientar não apenas aquela aula, mas o percurso das semanas seguintes. A cada 90 dias, o grupo revisita o próprio processo, numa espécie de “checagem” de vida. “Eu sempre pergunto o que mudou na relação delas com elas mesmas nos últimos 90 dias. As respostas mostram transformações sutis, mas profundas. Pode ser uma decisão menos impulsiva, um limite colocado, uma dor que diminuiu, a postura que ficou um milímetro mais consciente”, descreve.
A terapia sonora com o gongo é a marca registrada do Studio Pausa. Ao incorporar o instrumento em todas as turmas, Cecília trabalha com a vibração do som como um recurso para acessar camadas mais profundas de memória, emoção e percepção corporal. O efeito, conta ela, nem sempre é relaxante, ao contrário do que costuma ser vendido no mercado de bem-estar. “O gongo não é um instrumento de relaxamento, embora possa relaxar. Muitas vezes ele traz desconforto, sonhos intensos, lembranças que pareciam resolvidas. É como abrir uma caixa de Pandora interior. Aqui, a proposta é justamente criar um espaço seguro para olhar para isso”, diz.
O espaço físico do Studio Pausa foi projetado para sustentar essa experiência. Não se trata apenas de uma sala com tapetes, mas de um ambiente preparado em termos de som, luz e clima sensorial. O gongo ocupa um lugar central, a acústica foi pensada para que o som envolva o grupo sem ser agressivo e a iluminação varia conforme o momento da aula. “Eu chego cerca de duas horas antes das aulas para preparar a sala, aquecer o metal do gongo, escolher o mantra do dia e ajustar a luz. Também cuido do cheiro e do sabor. O ambiente tem sempre aroma de sândalo e chá com gengibre, para aquecer e preparar o corpo para a respiração. Tudo isso faz parte do acolhimento”, descreve.
Outro elemento importante é o limite de seis alunas por turma. As marcações no chão indicam exatamente onde cada uma se instala, respeitando o espaço individual e garantindo que Cecília consiga acompanhar de perto a experiência de todas. “Eu preciso conseguir cobrir cada pessoa, às vezes literalmente, com uma manta, se ela sente frio. É um espaço de cuidado. Em grupos grandes, a atenção se perde, e eu não considero ético trabalhar com essa intensidade de som e emoção sem conseguir estar presente para cada uma”, afirma.
A escolha por atender exclusivamente mulheres também dialoga com a proposta de um ambiente íntimo e voltado à troca genuína. Muitas alunas usam o tempo de roda para falar de temas que raramente aparecem em outros contextos, como processos de luto, medos ligados à saúde, mudanças do corpo, maternidade, menopausa e recomeços após períodos de crise. No Studio Pausa, essas conversas não são um extra da aula, mas parte integrante do método.
Sobre Cecília Franco
Instrutora de yoga certificada, Cecília Franco teve o primeiro contato com a prática ainda na infância, por influência da mãe, que também foi instrutora de yoga. Advogada por formação, ela se especializou em cuidados paliativos e atua há anos com pacientes e suas famílias, experiência que levou para a forma como conduz as práticas no Studio Pausa: com foco em presença, escuta e elaboração das próprias emoções. Seu trabalho integra yoga, meditação e terapia vibracional com gongo em processos coletivos voltados à saúde mental, ao luto e à reconstrução de rotinas após situações de esgotamento.
Serviço
Studio Pausa
Endereço: Rua Alagoas, 1000, Savassi – Belo Horizonte (MG)
Informações e contato: Instagram @studiopausayoga
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