IA acelera a demanda por eletricidade e impulsiona uma nova onda de adaptação e investimento na rede elétrica
Quase 80% das empresas do setor elétrico esperam padrões de demanda mais extremos e voláteis
Cerca de uma em cada cinco solicitações de energia para data centers pode nunca se concretizar, o que distorce as previsões
Ao mesmo tempo, 60% das empresas do setor elétrico esperam que a IA desempenhe um papel cada vez maior na melhoria da eficiência da rede elétrica e no desbloqueio de ganhos operacionais, mas apenas algumas implementaram abordagens avançadas impulsionadas por IA
Paris, 25 de junho de 2026 – A rápida expansão dos data centers impulsionados por Inteligência Artificial (IA) não tem apenas aumentado a demanda por eletricidade, mas, também, a tem tornado significativamente mais difícil de prever, o que desafia a forma como os sistemas de energia são planejados e fornecidos. A grande maioria dos executivos do setor elétrico espera picos de demanda mais extremos e menos previsíveis, enquanto mais de três quartos afirmam ter dificuldades para prever com precisão as necessidades futuras, de acordo com o mais recente relatório do Instituto de Pesquisa da Capgemini, "IA encontra a rede elétrica: moldando o cenário energético dos data centers". A pesquisa, que entrevistou mais de 600 executivos seniores do setor elétrico de organizações com receita anual superior a US$ 500 milhões, destaca como os sistemas de energia entram em uma nova fase à medida que as cargas de trabalho de IA se tornam cada vez mais imprevisíveis. Segundo o relatório, as previsões se tornaram significativamente mais difíceis, mas a IA também faz parte da solução, já que a maioria dos executivos espera que ela proporcione ganhos significativos de eficiência e operacionais.
Uma nova era de demanda de eletricidade volátil e incerta
Além do crescimento, o maior desafio é a incerteza. As empresas do setor elétrico planejam cada vez mais para uma demanda que pode nunca se concretizar. O relatório destaca uma crescente desconexão entre a demanda projetada e a real: a maioria (67%) dos executivos do setor elétrico se refere a solicitações de carga "fantasmas" de data centers, sendo que cerca de duas em cada dez (19%) delas nunca se materializam, o que distorce as previsões e aumenta o risco de investimentos excessivos ou insuficientes.
Essa incerteza nas previsões cria um dilema significativo na alocação de capital. As concessionárias de energia precisam decidir não apenas o quanto de capacidade devem investir, mas também onde e quando priorizar os investimentos em modernização da rede para atender à demanda futura e evitar ativos ociosos (stranded assets). Para os hiperescaladores, o desafio é igualmente grave e exige que decisões importantes de infraestrutura sejam tomadas em um contexto de previsões de demanda, disponibilidade da rede e cronogramas de conexão incertos.
Além disso, mais de três quartos (77%) das empresas de do setor elétrico preveem dificuldades em estimar com precisão a demanda futura, uma vez que os padrões de consumo provenientes da IA se tornam menos estáveis e mais difíceis de modelar. Consequentemente, elas esperam que a variabilidade da demanda se torne um grande desafio para o sistema, o que exige novas abordagens para o planejamento e para as operações.
Adicionalmente, 68% dos executivos do setor elétrico também preveem escassez devido à demanda de data centers que cresce mais rápido do que a capacidade de expansão da oferta.
O desafio é agravado pela concentração geográfica dos data centers, o que sobrecarrega significativamente as redes locais: mais da metade dos executivos do setor elétrico identifica a concentração de carga como um grande obstáculo para um serviço confiável, enquanto grandes clusters de instalações de alta densidade criam gargalos localizados que afetam a estabilidade do sistema e o planejamento de investimentos.
“A IA está transformando os sistemas de eletricidade muito além do crescimento da demanda. Ela expõe limitações estruturais na capacidade da rede, no planejamento e na disponibilidade de energia, ao mesmo tempo que torna a demanda mais dinâmica e difícil de prever”, disse Claire Gauthier, Diretora Global de Energia e Utilities da Capgemini. “O desafio não é mais apenas quanta energia é necessária, mas se ela pode ser fornecida de forma confiável, onde e quando for necessária. As concessionárias de energia têm um papel fundamental como orquestradoras do sistema ao aproveitar insights habilitados por IA para equilibrar a rede e os recursos pertencentes aos clientes, acelerar a capacidade de entrega e viabilizar a próxima fase de crescimento dos data centers.”
O papel duplo da IA: aceleradora da demanda e multiplicadora de força para o desempenho da rede elétrica
Segundo o relatório, o consumo de eletricidade para treinamento e inferência de IA deverá aumentar significativamente, passando de 25% para 60% da demanda total de eletricidade de data centers nos próximos três a cinco anos, o que deve substituir em grande parte outras cargas de trabalho de TI.
Ao mesmo tempo, os executivos do setor elétrico veem a IA como um multiplicador de forças para o planejamento e a confiabilidade da rede: cerca de seis em cada dez esperam que as análises avançadas de IA proporcionem melhorias superiores a 10% na redução de falhas, na produtividade operacional e na prevenção e restauração de interrupções.
Apesar dos seus benefícios, a adoção da IA permanece limitada
De acordo com o relatório, menos da metade (45%) dos executivos afirmam usar a IA para otimização da rede elétrica, e apenas 16% das organizações do setor implementaram abordagens mais avançadas baseadas em IA para otimizar o fluxo de energia, aumentar a resiliência e melhorar o desempenho do sistema em tempo real para acompanhar a crescente demanda.
Conforme o relatório, os cronogramas de construção da infraestrutura de rede também representam uma restrição crítica para acomodar o rápido crescimento da demanda dos data centers com IA. Isso ressalta a necessidade urgente de acelerar a modernização da rede elétrica por meio da própria IA e de tecnologias climáticas para fornecer energia confiável, acessível e sustentável.
Energia no local (on-site) como uma mudança estrutural em direção a sistemas de energia híbridos e descentralizados
Diante das restrições e atrasos na rede elétrica, os data centers mudam cada vez de abordagens baseadas apenas em backup para soluções primárias de geração de energia atrás do medidor¹ (Behind-the-Meter, BTM na sigla em inglês) e próximas ao local (near site). Quase três em cada dez afirmam já ter implementado soluções de energia no local e 39% planejam adicionar soluções no local/BTM nos próximos um a dois anos; mais de sete em cada dez esperam que essas soluções reduzam significativamente a dependência da rede elétrica em cinco anos.
A maioria (86%) considera a capacidade de operar de forma independente da rede como uma vantagem competitiva. Essa evolução reformula a relação tradicional entre as concessionárias de energia e os grandes consumidores de energia e introduz tanto oportunidades quanto desafios de coordenação.
Uma matriz energética equilibrada e diversificada no centro do crescimento confiável e sustentável de data centers
Uma matriz energética diversificada tem se tornado essencial para garantir a confiabilidade e a resiliência a longo prazo, visto que a energia renovável por si só ainda não consegue fornecer energia contínua em larga escala para grandes data centers e cargas de trabalho de IA — de acordo com 78% dos executivos do setor elétrico e 73% dos executivos de data centers. Ambos relatam investimentos ativos em sistemas de armazenamento de energia em baterias (Battery Energy Storage System, BESS na sigla em inglês) para ajudar a suprir essa lacuna.
Eles também concordam que soluções de longo prazo, como a energia nuclear (Pequenos Reatores Modulares), levarão tempo para serem implementadas. Como resultado, mais de dois terços (68%) dos executivos do setor elétrico e de data centers em todo o mundo consideram o gás natural uma solução de transição a curto prazo, até que as energias renováveis e as tecnologias de armazenamento possam ganhar escala, o que cria tensões com as metas de descarbonização.
Metodologia do relatório
O Instituto de Pesquisa da Capgemini entrevistou 612 executivos seniores do setor elétrico (nível de diretoria ou superior) de organizações com receita anual superior a US$ 500 milhões que atuam ativamente com data centers. A Capgemini também entrevistou 175 executivos seniores de organizações proprietárias e operadoras de data centers com receita superior a US$ 250 milhões. Os respondentes representavam 21 países da América do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e América Latina. A pesquisa global foi realizada em janeiro de 2026.
Sobre a Capgemini
A Capgemini é uma parceira global de transformação de negócios e tecnologia impulsionada por Inteligência Artificial, que gera valor tangível no mercado. Imaginamos o futuro das organizações e o tornamos realidade por meio de IA, tecnologia e pessoas. Com nossa sólida trajetória de quase 60 anos, somos um grupo responsável e diverso com 420 mil profissionais, em mais de 50 países. Oferecemos serviços e soluções de ponta a ponta que contam com nossa profunda expertise setorial e um robusto ecossistema de parceiros, elevando nossas capacidades em estratégia, tecnologia, design, engenharia e operações de negócios. O Grupo reportou em 2025 receitas globais de 22,5 bilhões de euros.
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Sobre o Instituto de Pesquisa da Capgemini
O Instituto de Pesquisa da Capgemini é o centro de estudos interno da Capgemini sobre tudo o que é digital. O Instituto publica pesquisas sobre o impacto das tecnologias digitais em grandes empresas tradicionais. A equipe se baseia na rede mundial de especialistas da Capgemini e trabalha em estreita colaboração com parceiros acadêmicos e tecnológicos. O Instituto possui centros de pesquisa dedicados na Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos. Foi classificado como o número 1 do mundo pela qualidade de sua pesquisa por analistas independentes por seis vezes consecutivas – um feito inédito no setor.
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