Intraempreendedorismo feminino cresce no mercado imobiliário com boom no número de corretoras no Brasil
Crescimento de 144% em dez anos na quantidade de corretoras ilustra a busca cada vez maior das mulheres por comandar suas próprias carreiras.
Nos últimos anos, uma palavra relativamente recente passou a circular com cada vez mais frequência no mercado de trabalho: intraempreendedorismo. O termo descreve o movimento de profissionais que, mesmo atuando dentro de empresas tradicionais, se comportam como empreendedores: assumem riscos, inovam em processos e constroem resultados como se fossem donos do próprio negócio – ainda que sob o guarda-chuva de uma marca já estabelecida.
No mercado imobiliário brasileiro, esse fenômeno tem ganhado contornos ainda mais expressivos. De acordo com a especialista em negociações imobiliárias de luxo em Balneário Camboriú, Fernanda Zaleski de Matos, o fato de a profissão de corretor de imóveis ser marcada pela autonomia possibilita que um profissional, mesmo quando vinculado a uma imobiliária, atue como autônomo, organize sua própria rotina, negocie com clientes, construa carteira e dependa diretamente do próprio desempenho para gerar renda. “Na prática, é um empreendedor ou empreendedora que opera dentro de uma estrutura maior”, afirma.
Quando se olha para o recorte feminino, porém, o intraempreendedorismo tem deixado de ser apenas um conceito e passado a ser um movimento visível, tanto nos números quanto nas ruas. Para se ter uma ideia, de 2016 para cá, ele [o intraempreendedorismo feminino] no mercado imobiliário cresceu, aproximadamente, 144%, ultrapassando a marca de 232 mil profissionais em atuação. Hoje, por exemplo, as mulheres já representam uma fatia de 35% dos corretores credenciados no país, segundo dados do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (COFECI).
“Com o aumento das corretoras autônomas que tratam a própria carreira como um negócio dentro das imobiliárias – sejam elas tradicionais, redes de franquias ou estruturas mais enxutas –, é exatamente aí que o intraempreendedorismo se encaixa”, aponta Fernanda.
Em 2025, a especialista foi responsável por negociar, sozinha, mais de R$ 40 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) de imóveis. “Fui empreendendo ao longo dos últimos cinco anos, trabalhando networking e construindo reputação no mercado. Comecei vendendo apartamentos de R$ 600 mil e hoje já negocio imóveis acima de R$ 10 milhões”, acrescenta.
Ainda que, no imaginário de muita gente, a vida de uma corretora possa parecer bastante sedutora, a jornada que parece fácil, na verdade, não é. Períodos de baixa nas vendas, competitividade intensa e pressão emocional são aspectos que costumam estar sempre à porta. Para muitas mulheres, tudo isso se soma a uma rotina de dupla ou até tripla jornada, dividida entre trabalho, família, cuidados domésticos e, muitas vezes, estudos. “Organizar esse conjunto de demandas exige disciplina, resiliência e uma capacidade quase constante de adaptação”, ressalta Fernanda.
Laboratório de transformação
Santa Catarina se destaca como um dos principais polos desse intraempreendedorismo feminino no mercado imobiliário brasileiro. Hoje, o estado ocupa a terceira posição em número de corretoras mulheres, à frente de regiões tradicionais como Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal.
Para o sócio-proprietário da Felicità Imóveis, uma das principais imobiliárias do litoral catarinense, Brayann Germano, o protagonismo catarinense está relacionado a uma combinação de fatores. O mercado imobiliário local vive um ciclo prolongado de aquecimento, puxado por cidades litorâneas, polos turísticos e centros urbanos em expansão.
“Alguns empreendimentos tornaram a cidade de Balneário Camboriú e a região da Praia Brava, em Itajaí, por exemplo, vitrines do mercado imobiliário em nível nacional. E isso criou um ambiente altamente favorável para esse intraempreendedorismo”, finaliza.

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