Movimentos repetitivos e autismo
Movimentos repetitivos, como balançar o corpo, agitar as mãos, repetir palavras, fazer zumbidos, alinhar objetos ou fixar o olhar em um ponto, conhecidos como stimming, são uma das principais formas de autorregulação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Uma revisão publicada em junho de 2026 na revista Current Psychiatry Reports reforça que essas manifestações fazem parte da maneira como o cérebro autista processa os estímulos sensoriais e ajudam a reduzir a sobrecarga causada por ambientes barulhentos, mudanças na rotina e excesso de informações, não devendo ser interpretadas automaticamente como problemas de comportamento.
A neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto, explica que compreender esses sinais é fundamental para que famílias, escolas e profissionais ofereçam o suporte adequado e evitem interpretações equivocadas. "A autorregulação é essencial para que pessoas com TEA consigam equilibrar as emoções, manter o foco e aliviar o estresse. Quando esse processo é constantemente interrompido, o risco de exaustão física e emocional aumenta significativamente", afirma.
Para quem ainda não está familiarizado com o tema, Bárbara explica que esses comportamentos costumam aparecer em momentos de ansiedade, excesso de estímulos, mudanças inesperadas na rotina ou durante atividades que exigem concentração. "Quando uma pessoa com TEA balança o corpo para frente e para trás, movimenta continuamente os pés, agita as mãos, gira sobre o próprio eixo, estala os dedos, faz zumbidos, limpa a garganta repetidamente, fixa o olhar em objetos que giram ou permanece olhando para um mesmo ponto, ela pode estar tentando regular seu sistema nervoso. O mesmo acontece quando alinha objetos, enrola os cabelos ou repete palavras e frases. Esses comportamentos não representam falta de educação, birra, hiperatividade ou desatenção, mas fazem parte do funcionamento neurobiológico", explica.
Outro estudo, publicado em 2026 na revista Scientific Reports, mostrou que os comportamentos repetitivos estão relacionados à flexibilidade cognitiva, uma função executiva frequentemente diferente em crianças autistas. Segundo os pesquisadores, compreender essa relação ajuda a interpretar essas manifestações dentro do contexto do desenvolvimento, em vez de tratá-las apenas como comportamentos inadequados.
Nenhum comentário