Cidades com menos de 150 mil habitantes ganham peso no mercado imobiliário
Mesmo longe dos holofotes, estimativa
é que esses municípios considerados pequenos vêm garantindo uma
representatividade considerável no mercado imobiliário nacional e demonstrando
que a força real do segmento está na soma.
Por
muito tempo, o mercado imobiliário brasileiro foi associado principalmente às
grandes capitais, às regiões metropolitanas e às cidades médias em acelerado
processo de crescimento. Embora nesses centros estejam os maiores
empreendimentos, os lançamentos mais sofisticados e os valores mais elevados de
venda, essa fotografia, embora real, não mostra o quadro inteiro.
Longe
dos holofotes, os municípios pequenos formam uma base ampla e diversificada do
mercado imobiliário nacional. São cidades com menos de 150 mil habitantes,
muitas delas espalhadas pelo interior do país, onde a dinâmica de compra e
venda de imóveis é menos concentrada em grandes condomínios e mais ligada à
necessidade cotidiana de moradia, à formação de patrimônio e à expansão gradual
das áreas urbanas.
Isso
tem evidenciado um aspecto que precisa ser levado em consideração: a força real
do segmento está na soma. Hoje, para se ter uma ideia, mais de 95% dos
municípios brasileiros têm menos de 150 mil habitantes. Essa proporção revela a
dimensão desse universo. Embora essas cidades apresentem, muitas vezes, um
Valor Geral de Vendas (VGV) inferior ao registrado nos principais centros
urbanos, quando se observa o conjunto, o número de municípios e a quantidade de
transações possíveis, esse segmento acaba ganhando uma representatividade
considerável no mercado imobiliário nacional.
De
acordo com o especialista em negociações imobiliárias de alto padrão Fabiano
Braga, essa pulverização é justamente uma das características que tornam o
setor estratégico. Segundo ele, em vez de depender de poucos grandes
lançamentos, o mercado das cidades pequenas se apoia em uma demanda distribuída
territorialmente e alimentada por diferentes perfis de compradores.
“O
peso dessas cidades não está necessariamente no tamanho de cada operação, mas
na quantidade de mercados locais que, somados, movimentam um volume expressivo
de negócios”, comenta.
Para
exemplificar essa dimensão, a estimativa, segundo Fabiano, é que cidades com
até 150 mil habitantes movimentam mais de 30% do Imposto sobre Transmissão de
Bens Imóveis (ITBI) no Brasil e cerca de 35% do VGV do mercado de imóveis
usados no país.
Ainda
assim, embora exista o conceito preliminar de que “no interior é mais barato”,
isso nem sempre se aplica. Fabiano lembra que, em inúmeras cidades, o valor dos
imóveis pode, sim, superar o praticado em grandes centros urbanos. Em Xangri-Lá,
por exemplo, município do litoral gaúcho com apenas 16 mil habitantes, existem
imóveis que ultrapassam a bagatela de R$ 20 milhões. Para se ter uma ideia, o
município registrou um VGV de aproximadamente R$ 1,5 bilhão somente em 2025.
“Essa
ideia de que o consumo sofisticado, principalmente de imóveis, precisa estar
atrelado a grandes centros urbanos já vem sendo desafiada há alguns anos por
cidades que acabam oferecendo uma combinação rara de tranquilidade,
infraestrutura e exclusividade”, explica.
Se
hoje existem cidades que competem com grandes centros urbanos, por que elas não
recebem os mesmos holofotes? Para ele, a dificuldade de mensurar o segmento é
um dos motivos pelos quais as cidades pequenas nem sempre aparecem com destaque
nas análises do mercado imobiliário. Os dados mais conhecidos costumam se
concentrar nos grandes centros, onde há maior padronização das informações e
presença mais intensa de incorporadoras. Em municípios menores, parte das
transações ocorre fora das bases amplamente acompanhadas pelo mercado.
“Isso
não significa ausência de atividade. Significa que o mercado é mais pulverizado
e menos visível. Para compreender seu tamanho, é necessário observar diferentes
indicadores: número de transações, financiamentos, registros cartoriais,
abertura de loteamentos, consumo de materiais de construção, geração de
empregos e evolução da arrecadação relacionada ao setor”, conclui.
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