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Biodiversidade invisível da Mata Atlântica pode revelar novas soluções biotecnológicas e ampliar conhecimento sobre a conservação do bioma

Projeto de bioprospecção da Apoena Biotech, em parceria com a Vale, busca mapear microrganismos e ampliar plataforma científica com potencial para aplicação em diversos setores da bioeconomia, além de gerar conhecimento sobre um dos biomas mais biodiversos e ameaçados do planeta

Diadema (SP), setembro de 2026 — A Mata Atlântica é um dos biomas mais estudados do Brasil, mas ainda abriga uma biodiversidade praticamente desconhecida: aquela que não pode ser vista a olho nu. Além da fauna e da flora, existe uma imensa variedade de microrganismos presentes no solo, na água e associados às plantas, responsáveis por processos fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas e capazes de produzir enzimas, metabólitos e outras moléculas com potencial de aplicação em diferentes setores da bioeconomia — campo que reúne o conhecimento científico e o uso sustentável da biodiversidade para gerar produtos, processos e tecnologias com valor econômico, sendo um caminho que vem ganhando espaço como estratégia de inovação e sustentabilidade para diferentes indústrias.

É justamente essa riqueza invisível que será estudada pela Apoena Biotech, empresa brasileira de biotecnologia que transforma a biodiversidade nacional em soluções para diferentes setores, como agricultura, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Para isso, a empresa realizou, em parceria com a Vale, no último mês de agosto, uma expedição científica na Reserva Natural Vale, em Linhares (ES). A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade microbiana da Mata Atlântica, identificando, isolando e preservando microrganismos associados a diferentes ambientes do bioma e ampliando uma plataforma científica para futuras pesquisas e inovação.

A escolha da Mata Atlântica está relacionada tanto à sua riqueza biológica quanto à condição de conservação do bioma. Originalmente distribuída por cerca de 1,3 milhão de quilômetros quadrados em 17 estados brasileiros, o bioma possui atualmente cerca de 24% de sua cobertura original remanescente, distribuída em diferentes estágios de regeneração e com elevado grau de fragmentação. Nesse contexto, a expedição busca contribuir não apenas para a descoberta e preservação de microrganismos, mas também para o conhecimento de uma parcela da biodiversidade que pode desaparecer antes mesmo de ser conhecida pela ciência.

É nesse contexto que a parceria com a Vale e a atuação na Reserva Natural Vale ganham relevância. Um dos principais patrimônios de proteção ambiental da Vale, a reserva abrange aproximadamente 23 mil hectares nos municípios de Linhares, Sooretama e Jaguaré, reunindo iniciativas de conservação, restauração florestal, silvicultura com espécies nativas, sistemas agroflorestais e pesquisa científica. Assim, a experiência da Apoena em bioprospecção microbiana se une à atuação da Vale na conservação de uma área de grande relevância para a Mata Atlântica, aproximando ciência, biodiversidade e inovação.

“Quando falamos em biodiversidade, normalmente pensamos no que conseguimos enxergar. Mas existe uma biodiversidade microscópica enorme e ainda pouco conhecida. Nosso objetivo é transformar esse conhecimento em uma plataforma de inovação que possa ser revisitada ao longo dos anos e acessada por diferentes setores”, afirma Patrícia Mendes, diretora de Novos Negócios e Estratégia Comercial da Apoena Biotech.

Nas últimas décadas, com o avanço das técnicas de sequenciamento e caracterização molecular, revelou-se uma diversidade microbiana muito maior do que se imaginava. Ainda assim, identificar quais organismos estão presentes é apenas o primeiro passo e a ciência busca, agora, compreender como esses microrganismos interagem entre si e com as plantas, quais funções desempenham e quais características podem estar associadas a ambientes específicos. Na Mata Atlântica, a grande variedade de espécies vegetais e de nichos ecológicos cria diferentes condições para o estabelecimento de comunidades microbianas especializadas, ampliando as possibilidades de encontrar organismos com características ainda pouco conhecidas.

“A Reserva Natural Vale é um espaço dedicado à conservação da Mata Atlântica e também à geração de conhecimento científico sobre esse bioma tão rico e ainda cheio de descobertas possíveis. Esta iniciativa amplia o olhar para uma dimensão menos visível, mas fundamental da biodiversidade: os microrganismos. Apoiar pesquisas como essa reforça o papel da Reserva como ambiente protegido, preparado para receber estudos e contribuir para que a ciência avance na compreensão e na conservação ambiental”, diz Márcio Santos, gerente de Recursos Naturais e Áreas Protegidas da Vale.

"Cada expedição amplia esse repertório e fortalece uma plataforma de conhecimento que pode alimentar diferentes frentes de atuação da Apoena Biotech ao longo do tempo, não como um resultado pontual, mas como um investimento contínuo em ciência que sustenta a inovação em diferentes setores", complementa Juliana Nakayama, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Apoena Biotech.

A bioprospecção na prática — A expedição à Mata Atlântica faz parte de um programa contínuo de bioprospecção desenvolvido pela Apoena Biotech em diferentes biomas brasileiros. Antes dessa expedição, a empresa esteve duas vezes na Amazônia, além de Fernando de Noronha e da Caatinga, explorando ambientes com características distintas para ampliar sua coleção de microrganismos e compreender o potencial da biodiversidade brasileira.

Por meio dessas expedições, busca identificar microrganismos presentes em ambientes naturais a partir da coleta, isolamento, preservação, identificação molecular e caracterização de suas funções biológicas. A partir dessa identificação, visa encontrar cepas com potencial para aplicações nos setores em que atua. No entanto, embora hoje sua plataforma esteja voltada especialmente aos mercados agrícola e cosméticos, essa coleção pode apoiar pesquisas futuras em diferentes setores, como alimentos, suplementação humana, nutrição e saúde animal, indústria farmacêutica, biotecnologia industrial, química verde e outros segmentos da bioeconomia.

Na Mata Atlântica, a seleção dos locais de coleta considera as características dos diferentes ambientes e as condições às quais os microrganismos estão submetidos, já que florestas, áreas inundáveis, campos nativos, matas ciliares, solos e ambientes associados a diferentes espécies vegetais oferecem condições ecológicas distintas, ampliando a diversidade de microrganismos que poderá ser investigada.

Na Reserva Natural Vale, foram coletadas pequenas amostras de diferentes nichos ecológicos, por meio de um plano científico que contempla 22 espécies vegetais representativas da Mata Atlântica, além de cinco tipos de solo e dois ambientes aquáticos. Entre os locais de interesse estiveram áreas de floresta, várzeas, brejos, muçunungas, campos nativos e matas ciliares, além de ambientes associados a bromélias e outras plantas, já que a diversidade desses ambientes permite explorar diferentes interações entre plantas, solo, água e microrganismos, ampliando as possibilidades de identificar comunidades microbianas especializadas e organismos com características de interesse para futuras aplicações biotecnológicas.

A expedição foi realizada mediante autorização do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBio), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), seguindo a legislação brasileira aplicável ao acesso ao patrimônio genético. Os acessos serão cadastrados no Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen), conforme a legislação vigente.

Da biodiversidade à inovação — Encerrada a expedição, começa uma nova etapa da jornada científica, em que as amostras coletadas passam por processos de isolamento e preservação dos microrganismos cultiváveis, seguidos pela identificação molecular. A partir das informações genéticas obtidas, ferramentas de bioinformática permitem comparar as cepas com bancos de dados globais, buscando genes, vias metabólicas, funções biológicas e evidências científicas já publicadas. Essa análise in silico ajuda a priorizar os microrganismos mais promissores antes dos screenings experimentais e das etapas posteriores de desenvolvimento tecnológico.

O processo permite que o material coletado durante as expedições seja transformado em um acervo científico permanente. Atualmente, a coleção da Apoena Biotech reúne 1.191 microrganismos preservados, dos quais 381 já foram identificados molecularmente. Além disso, 109 microrganismos já passaram por screening de expressão gênica, processo que analisa quais genes um microrganismo ativa em diferentes condições para identificar seu potencial funcional, sendo 55 voltados a aplicações cosméticas, e outros 54 ao setor agrícola.

A cada expedição, a coleção segue sendo ampliada, com esses números representando as diferentes etapas de uma plataforma que combina bioprospecção, microbiologia, biologia molecular, bioinformática, screening, fermentação e desenvolvimento tecnológico. Mais do que buscar a descoberta imediata de um novo produto, o objetivo é construir uma base científica que amplia continuamente o conhecimento sobre a biodiversidade e mantém esse patrimônio biológico disponível para novas pesquisas.

"Cada microrganismo preservado representa uma nova possibilidade de investigação. Hoje temos aplicações e pesquisas principalmente em agro e cosméticos, mas a plataforma não está limitada a esses mercados. O mesmo banco pode apoiar novas perguntas e projetos em diferentes setores da bioeconomia. Além disso, esperamos que essa expedição traga mais conhecimento sobre uma parcela da biodiversidade brasileira ainda pouco conhecida, auxiliando na conservação da Mata Atlântica”, conclui Patrícia Mendes.

Sobre a Apoena Biotech

A Apoena Biotech é uma empresa brasileira de biotecnologia que desenvolve soluções sustentáveis baseadas em microrganismos. Sob o conceito “Mais que Natural. Sustentável.” e com o propósito de levar a biotecnologia a todos, atua desde a pesquisa e desenvolvimento até o escalonamento e a produção industrial por fermentação.

A empresa está estruturada em três frentes complementares: Apoena Agro, Apoena Biocare e Apoena Services.

A Apoena Agro atua no mercado B2B de bioinsumos, com portfólio de produtos registrados no MAPA, produção white label e serviços de toll manufacturing. A Apoena Biocare desenvolve ingredientes ativos obtidos por fermentação para o setor cosmético. A Apoena Services oferece pesquisa e desenvolvimento em bancada, desenvolvimento e escalonamento de processos, produção industrial por fermentação e terceirização de produção.

A integração dessas frentes permite que a Apoena atue desde a descoberta e seleção de microrganismos até o desenvolvimento tecnológico, escalonamento e produção industrial, conectando biodiversidade, ciência e inovação.

Saiba mais em www.apoenabiotech.com.br

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