Cetesb aponta queda de quase 30% na carga de poluição diária no Rio Tietê em dois anos
Resultados são acompanhados pela ampliação de ações do Governo de São Paulo para recuperação do rio, como ampliação do tratamento de esgoto e o desassoreamento
A quantidade de poluição transportada pelo Rio Tietê caiu 29,4% em dois anos, um avanço acompanhado pelas ações de recuperação do Governo de São Paulo, com a ampliação da coleta e do tratamento do esgoto e o reforço nas ações de desassoreamento. Estudo realizado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e divulgado nesta quinta-feira (17) mostra que o volume passou de 218 toneladas/dia em 2024 para 154 toneladas/dia em 2026. São 64 toneladas de dejetos a menos todos os dias, o equivalente à capacidade total de mais de 25 piscinas olímpicas.
“O Governo de São Paulo assumiu a recuperação do Tietê como prioridade e estruturou o maior programa já realizado para enfrentar esse desafio. A redução da carga orgânica demonstra que os investimentos estão produzindo resultados concretos e que a desestatização da Sabesp já está fazendo a diferença na melhoria ambiental do nosso principal rio, e também na saúde e qualidade de vida das pessoas. Ainda temos um longo caminho, mas há planejamento, recursos e determinação para avançar”, afirma a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
A queda de matéria orgânica foi mais acentuada no último ano, quando a carga média passou de 210 toneladas em 2025 para as atuais 154 toneladas por dia em 2026. O valor neste ano também fica 19,8% abaixo da meta de 192 toneladas/dia estabelecida pelo IntegraTietê, programa do Governo de São Paulo em parceria com a Sabesp e outros órgãos para despoluir o rio.
A matéria orgânica chega ao Tietê principalmente pelo lançamento de esgoto doméstico não tratado. Em excesso, ela reduz o oxigênio disponível na água, gera forte odor, prejudica a vida aquática e contribui para a piora da qualidade do rio. Quanto menor a carga, menor é a quantidade de poluição orgânica transportada pelo rio.
Desde a desestatização da Sabesp, em julho de 2024, a expansão dos serviços de saneamento básico alcançou cerca de 2,4 milhões de pessoas com abastecimento de água, 2,8 milhões com coleta de esgoto e mais de 4,7 milhões com tratamento. Pelo Programa IntegraTietê, 4,5 milhões de pessoas foram conectadas à rede de esgoto, retirando mais de 10 bilhões de litros de esgoto por mês dos rios.
Acompanhamento do rio
A Cetesb utiliza as medições feitas na barragem da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Edgard de Souza, localizada na saída da Região Metropolitana, para a análise. O ponto permite acompanhar a quantidade de matéria orgânica levada pelo Tietê depois que o rio atravessa a área mais urbanizada do estado e segue em direção ao interior.
Para calcular a carga orgânica neste ponto, a Cetesb considera tanto a concentração de matéria orgânica quanto a vazão de água no rio. Assim, é possível saber quantas toneladas são transportadas por dia e comparar períodos de chuva e de estiagem. Esse é atualmente o indicador mais preciso para acompanhar a evolução da carga orgânica no Tietê.
Matéria orgânica cai 15% em 300 km do Médio Tietê
A redução da poluição acompanha outros pontos do curso do rio. Em um trecho de aproximadamente 300 quilômetros do Médio Tietê, entre Santana de Parnaíba e a entrada do Reservatório de Barra Bonita, em Botucatu, a concentração média de matéria orgânica caiu cerca de 15% entre 2024 e 2026.
A média de Carbono Orgânico Total (COT) ao longo desse trecho passou de 14,8 mg/L, em 2024, para 14,4 mg/L em 2025 e chegou a 12,6 mg/L em 2026. Quanto menor o resultado, menor é a concentração de matéria orgânica encontrada na água.
A redução foi registrada em todos os 19 pontos monitorados pela Cetesb ao longo desse trecho. As maiores quedas ocorreram em Botucatu, com 37%; em um dos pontos do município de Tietê, com 31,3%; e em Pirapora do Bom Jesus, com 21,9%.
Melhora nos afluentes chega a 56%
Para avaliar o comportamento dos afluentes, rios que deságuam no Tietê, a Cetesb utiliza uma média ponderada, que considera o tamanho dos territórios.
Por esse cálculo, a concentração média ponderada de COT caiu de 26 mg/L, em 2024, para 23,7 mg/L em 2025 e chegou a 20,1 mg/L em 2026. A redução acumulada foi de 23% em dois anos. O resultado de 2026 também está 36,2% abaixo da meta estabelecida pelo Programa IntegraTietê para o ano, de 31,5 mg/L. Além da redução registrada ano após ano, todas as médias apuradas desde 2023 ficaram melhores que as metas previstas.
Entre os afluentes com maior área de drenagem que apresentaram melhora estão o Rio Tamanduateí, o Córrego São João do Barueri, o Rio Cabuçu de Cima, o Rio Aricanduva, o Rio Cabuçu de Baixo e o Ribeirão Perová.
A maior redução foi registrada no Córrego Lavapés, em Mogi das Cruzes. A concentração de COT caiu de 29 mg/L, em 2024, para uma média de 13 mg/L em 2025 e 2026, uma melhora de 56%. Também se destacaram o Ribeirão Jaguari, em Itaquaquecetuba, com redução de 31%, e o Ribeirão Três Pontes, no mesmo município, com queda de 29%.
A Cetesb ampliou o acompanhamento dos córregos e rios que deságuam no Tietê na Região Metropolitana. Em 2023, o monitoramento abrangia 11 afluentes. Desde 2024, são 30, quase o triplo.
“Essa rede nos permite medir a evolução da qualidade da água, identificar onde os investimentos já trazem resultados e direcionar as ações para os locais que ainda precisam avançar”, afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.
Índice de Qualidade da Água aponta evolução na região metropolitana
Outros índices utilizados pela Cetesb também apontam para melhora da qualidade da água do Tietê. Calculado a partir da combinação ponderada de nove variáveis, como turbidez, oxigênio dissolvido, carbono orgânico total, presença de sólidos, nitrogênio e fósforo, o Índice de Qualidade da Água (IQA) é utilizado para avaliar a saúde do corpo hídrico. Quanto maior o índice, melhor a qualidade. São 28 pontos de amostragem ao longo do Rio Tietê, desde as cabeceiras até a foz do rio Paraná.
A análise de 2023 a 2026 demonstra evolução da qualidade da água no trecho da Região Metropolitana de São Paulo. O principal avanço foi observado no ponto de monitoramento da Ponte dos Remédios, no segmento entre a foz do Rio Tamanduateí e a Barragem Móvel, após a foz do Rio Pinheiros. O IQA nesse trecho saiu de 15 em 2024 para 23 em 2026. Em Guarulhos, o índice saiu de 17 em 2024 para 21 em 2026. Nos dois casos, a qualidade da água passou de péssima para ruim. Em 11 pontos de monitoramento, a qualidade da água é qualificada como boa em 2026. Em 12, ruim. Em 2, péssima. Em 2, regular e em 1, ótima.
Ações integradas avançam
Lançado em 2023 pelo Governo de São Paulo, o IntegraTietê reúne iniciativas de curto, médio e longo prazo envolvendo saneamento, desassoreamento, fiscalização ambiental, monitoramento da qualidade da água, recuperação ambiental e qualificação das margens do rio. Desde o lançamento do programa, os investimentos contratados nas diferentes frentes já ultrapassam R$ 22 bilhões.
Uma das principais frentes é a ampliação do saneamento. Desde 2023, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, beneficiando cerca de 4,5 milhões de pessoas. A expansão da coleta e do tratamento de esgoto é acompanhada por outras intervenções estruturantes no rio.
Na frente de desassoreamento, mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram retirados desde 2023, com investimentos superiores a R$ 1,4 bilhão por meio da SP Águas, Agência de Águas de São Paulo, vinculada à Semil. O volume corresponde a 90% da meta de 7,2 milhões de metros cúbicos prevista até o fim de 2026. Para se ter uma ideia, somente em 2025, foram removidos mais de 2,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios Tietê e Pinheiros, o equivalente a 192 mil caminhões cheios. Enfileirados, dariam a distância de São Paulo a Salvador.
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