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Com mais de 5 milhões de inscritos, Enem exige estratégia na rotina de preparação

Recomendação é manter os estudos e reforçar leitura e interpretação na reta final

Com mais de 5 milhões de inscrições confirmadas, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 será aplicado nos dias 8 e 15 de novembro. O número, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), representa alta de 5,08% em relação à edição anterior. Para Henrique Braga, professor doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenador pedagógico do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho, a principal novidade deste ano, os chamados testlets, exige atenção dos candidatos, mas não altera a base da preparação para o exame.

 

“Eu não diria que mudar radicalmente a preparação que já vem sendo feita para as edições anteriores, nesse momento, seja adequado, porque a expansão dos ‘testlets’ vai ser uma mudança pontual”, afirma. O modelo, explorado pelo Enem na prova de Linguagens da edição de 2025, consiste em usar um mesmo texto ou conjunto de textos (verbais, multimodais, gráficos ou infográficos)  como base para uma sequência de questões relacionadas. A expectativa é de ampliação do recurso para provas de outras áreas, mas ainda não estão definidas quais.

 

Por isso, Henrique recomenda conhecer exemplos de provas que já trabalham com essa lógica, como algumas elaboradas pela Vunesp e, eventualmente, pela Unicamp. O contato com esse formato, porém, não deve substituir a rotina habitual de estudos.

 

Para o professor, o principal impacto dos testlets está em reforçar uma habilidade que já é fundamental no Enem, a leitura. “Um acréscimo que não significa mudar a preparação é continuar valorizando a leitura e a interpretação como o elemento principal para se chegar à resposta”, pontua.

 

Compreender e relacionar informações

 

Uma das estratégias recomendadas é a sumarização. Em textos mais longos, o candidato pode fazer pequenas sínteses ao longo da leitura, identificando palavras-chave e o sentido central de cada trecho.

 

Em um texto argumentativo, por exemplo, vale reconhecer o posicionamento assumido pelo autor antes de avançar para o parágrafo seguinte. O procedimento ajuda a evitar uma leitura automática, em que as palavras se sucedem sem necessariamente formar um sentido. “A leitura atenta não é simplesmente resultado da vontade, mas de técnica, de estratégia. E ler o texto fazendo essas pequenas sínteses ao longo dele, sempre relacionando as partes do texto para reconhecer sua unidade global, é uma estratégia importante”, explica.

 

Outra habilidade que merece atenção é a inferência. O candidato precisa ser capaz de deduzir informações a partir do que está escrito, relacionando o conteúdo apresentado ao próprio repertório.

 

Na hora de estudar, Henrique também recomenda rever a ordem tradicional entre teoria e exercícios. Em vez de revisar todo o conteúdo antes de começar a resolver questões, o candidato pode utilizar bons itens de provas anteriores para identificar lacunas de aprendizagem. Uma questão de História pode revelar uma dificuldade sobre determinado período, enquanto um item de Biologia pode indicar que um conceito ou processo ainda não foi plenamente compreendido. A partir dessa percepção, a revisão teórica passa a ter um objetivo definido. “Partir dos itens para a teoria é o melhor caminho. Isso não significa ir para o item apenas para ‘treinar macetes’, mas para empreender uma autoavaliação, é um processo metacognitivo importante”, ressalta.

 

Na redação, a orientação segue a mesma lógica. O estudante deve continuar produzindo textos dentro do modelo exigido pelo Enem e conhecer os critérios apresentados pelo Inep na cartilha do participante. “Não é hora de buscar nenhuma saída mágica, nenhuma grande novidade, em hipótese alguma acreditar em supostos gurus que vão vender modelos prontos para se fazer uma redação”, alerta.

 

Cinco dicas para ir bem no Enem:

 

- Mantenha uma rotina de estudos - A regularidade tende a ser mais eficiente do que tentar compensar o tempo com sobrecarga.

- Familiarize-se com a prova - Resolva edições anteriores do Enem para conhecer a estrutura.

- Valorize seus pontos fortes - Identifique os conteúdos e formatos de questão em que seu desempenho é melhor.

- Amplie os conhecimentos intermediários - Depois de consolidar os pontos fortes, concentre parte do estudo nos conteúdos em que seu desempenho ainda é moderado.

- Diversifique as leituras - Inclua na rotina notícias, textos de divulgação científica, literatura e outros gêneros.

 

Sobre Henrique Braga

Coordenador pedagógico do Ensino Médio da Escola Lourenço Castanho, professor doutor em Filologia e Língua Portuguesa, pela Universidade de São Paulo (USP), e autor de materiais didáticos.

 

Sobre a Escola Lourenço Castanho 

Oferece um projeto pedagógico inovador, que extrapola o trabalho com os conteúdos produzidos pelas grandes áreas do conhecimento, investindo também no desenvolvimento da autonomia e da crítica, na análise da dimensão social construída pelos estudantes e na vinculação com o saber. Ao longo dos anos, a Escola mantém o compromisso com seus princípios, consolidando a formação integral como a base de seu projeto pedagógico-educacional.

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