Cultura ocupa novos espaços e se aproxima da rotina urbana
Pesquisa mostra que 84% dos brasileiros participaram de atividades culturais presenciais no último ano, enquanto iniciativas fora dos espaços tradicionais levam arte para outros pontos das cidades
Museus, teatros e galerias deixaram de ser os únicos lugares onde a população encontra atividades culturais. A presença de exposições, música, oficinas e outras manifestações artísticas em espaços de convivência também tem ganhado espaço nas cidades. A 6ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, de 2025, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, mostra que 84% dos brasileiros realizaram alguma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores.
O estudo também aponta que quatro em cada dez brasileiros nunca participaram de uma atividade cultural presencial no próprio bairro ou em regiões próximas de onde vivem. A distância e a concentração dos equipamentos culturais aparecem entre os fatores que ajudam a explicar as diferenças de acesso, especialmente entre grupos de diferentes faixas de renda e escolaridade.
É nesse espaço entre a programação cultural e a rotina da cidade que surgem novas possibilidades. Exposições, apresentações musicais em centros comerciais, oficinas em espaços gastronômicos e intervenções artísticas em áreas de circulação levam manifestações culturais para lugares que já fazem parte do dia a dia das pessoas.
Em Florianópolis, o Pátio Milano vem seguindo esse caminho. Localizado no Centro da cidade e com fluxo médio de 1.800 pessoas por dia, o espaço recebe exposições, apresentações musicais, oficinas e encontros com artistas, reunindo diferentes linguagens em uma programação que também passa por gastronomia e convivência.
Um dos exemplos foi a exposição dos artistas visuais Fernando e Velmo Teixeira, pai e filho, que apresentaram trabalhos inspirados em paisagens e referências de Santa Catarina. A abertura teve ainda pintura ao vivo e música. Para Fernando Teixeira, iniciativas realizadas em locais de circulação cotidiana ajudam a aproximar a produção artística de públicos que nem sempre procuram uma exposição por conta própria. “Quando a arte ocupa espaços de convivência, ela encontra pessoas que talvez não tivessem planejado visitar uma exposição naquele dia. É uma forma de aproximar o público das artes visuais e, ao mesmo tempo, abrir espaço para que artistas locais apresentem seus trabalhos”, afirma o artista.
Em agosto, o Pátio recebeu o espetáculo “Eu Só Quero Amar”, com Ed1000sons, que revisitou sucessos de Tim Maia e outros nomes do soul brasileiro em uma apresentação gratuita. A programação do espaço inclui ainda o Arte & Vinho, projeto que reúne oficinas de pintura e gastronomia, além de apresentações musicais e outros encontros realizados durante o ano.
A pesquisa Hábitos Culturais ajuda a entender por que esse tipo de programação encontra espaço na rotina. Entre os motivos citados pelos entrevistados para participar de atividades culturais presenciais estão lazer, diversão, convivência e interação, conhecimento e busca por novas atividades. Em levantamento anterior da mesma série, realizado em 2023, a convivência e interação apareceram como o principal motivo, citado por 28% dos participantes.
Para Paty Alves, gerente de marketing do Pátio Milano, a programação cultural parte justamente da possibilidade de reunir públicos diferentes no mesmo endereço. “A cultura tem esse poder de criar encontros e novas formas de olhar para a cidade. Quando abrimos espaço para artistas, músicos e projetos locais, também criamos oportunidades para que essas produções cheguem a pessoas que talvez não tivessem contato com elas em outros lugares”, avalia.
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