Custo Brasil da logística abre espaço para IA atacar ineficiências na operação
Com custo logístico equivalente a 15,5% do PIB, empresas buscam reduzir perdas que vão desde o planejamento até a execução das entregas.
O custo logístico brasileiro chegou a 15,5% do PIB em 2025, equivalente a R$ 1,96 trilhão, segundo levantamento do ILOS. O índice, que era de 10,4% em 2014, revela uma pressão estrutural sobre empresas que precisam movimentar cargas em um país de dimensões continentais e com infraestrutura que não acompanhou, na mesma proporção, o crescimento da demanda.
O transporte responde por 8,5% do PIB, seguido por estoque, com 5,3%, armazenagem, com 1%, e despesas administrativas, com 0,6%. Na última década, o Brasil passou a transportar 25% mais carga, enquanto o modal rodoviário continua concentrando 63,4% da matriz de transporte nacional.
Mas, além dos custos diretamente associados ao transporte, existe uma parcela menos evidente da conta: as ineficiências que acontecem durante a execução da operação.
Atrasos nas entregas, rotas mal planejadas, veículos ociosos, tentativas de entrega sem sucesso e falhas na comunicação entre motoristas, transportadoras e equipes de operação geram custos que nem sempre aparecem de forma evidente nos indicadores de frete. São ineficiências que consomem tempo, recursos e capacidade operacional. É justamente nessa camada da operação que a inteligência artificial começa a ganhar espaço.
Para Alexandre Trevisan, CEO da uMov.me, o avanço dos agentes de IA na logística deve ser analisado menos pela capacidade de gerar respostas e mais pelo potencial de atuar sobre problemas concretos da operação.
“Durante muito tempo, a tecnologia foi usada para mostrar o que estava acontecendo na operação. O próximo passo é fazer com que ela ajude a entender o que está acontecendo e agir antes que um desvio se transforme em custo”, reforça Trevisan.
O movimento ocorre em um momento em que existe uma diferença significativa entre a intenção de investir em inteligência artificial e sua aplicação efetiva. Segundo os dados reunidos pela uMov.me, 82% das empresas de logística no Brasil planejam investir em IA para otimizar o transporte, enquanto apenas 30% já utilizam a tecnologia na cadeia de suprimentos.
A distância entre planejamento e execução abre espaço para aplicações mais específicas da tecnologia. Em vez de concentrar a IA apenas em análises estratégicas, empresas começam a utilizá-la em atividades que acontecem diariamente na ponta, como controle de check-in, validação de imagens, acompanhamento de equipes e comunicação com profissionais em campo.
Onde está o custo que não aparece no frete
Uma operação logística pode estar corretamente planejada no sistema e, ainda assim, apresentar perdas na execução.
Um motorista pode sair da rota planejada, chegar fora da janela de entrega, uma entrega pode não ser concluída ou o comprovante de entrega pode apresentar inconsistências. Quando esses eventos são identificados apenas depois que a operação termina, a empresa perde a oportunidade de agir enquanto o problema ainda pode ser corrigido.
A digitalização da operação logística busca justamente ampliar essa visibilidade. Informações sobre rotas, entregas, ocorrências, checklists, horários, registros de chegada e saída e comprovantes passam a alimentar uma camada de dados que permite acompanhar a operação em tempo real.
Com a aplicação de agentes de IA, essa camada pode evoluir de um sistema de acompanhamento para uma ferramenta capaz de identificar desvios, antecipar problemas e apoiar decisões durante a própria operação.
“O ganho não está simplesmente em digitalizar uma planilha. Está em conseguir transformar o dado produzido no campo em uma decisão enquanto ainda existe tempo para corrigir a rota”, afirma Trevisan.
IA para fazer mais com a mesma estrutura
Em operações com equipes distribuídas geograficamente, acompanhar cada ocorrência manualmente exige uma estrutura de backoffice proporcional ao volume de atividades. Quanto maior a operação, maior o desafio de manter o mesmo nível de acompanhamento.
A inteligência artificial pode assumir parte desse monitoramento, processando simultaneamente informações de diferentes pontos da operação e direcionando para as equipes humanas apenas os casos que demandam intervenção.
A lógica de uma torre de controle cognitiva: em vez de apenas apresentar indicadores, a tecnologia identifica desvios e ajuda a priorizar onde a atenção humana é necessária.
Para a uMov.me, esse movimento representa uma mudança na forma como as empresas enxergam a automação. O objetivo não é substituir quem está na operação, mas ampliar a capacidade das equipes de gerir uma quantidade maior de informações e ocorrências.
Em um país em que o custo logístico já representa 15,5% do PIB, reduzir essas ineficiências pode se tornar uma frente adicional de competitividade, especialmente quando os ganhos vêm não apenas da redução do custo de transporte, mas de uma execução mais previsível e com menos retrabalho.
Sobre a uMov.me
A uMov.me é uma empresa brasileira de tecnologia especializada em gestão de operações de campo e inteligência artificial aplicada ao negócio. Fundada em 2011, mais de mil empresas atendidas, 150 mil usuários e mais de 1 milhão de tarefas gerenciadas diariamente, atendendo empresas como JBS, Carrefour, Corsan, Panvel e Vibra.
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