Educação de São Paulo cresce mais do que países da OCDE no Pisa e reduz diferença das últimas décadas
Estado avançou na avaliação em todas as disciplinas enquanto países desenvolvidos tiveram recuo, encurtando distâncias históricas em mais da metade
A educação do estado de São Paulo teve seu melhor desempenho da história e avançou em todas as disciplinas do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), considerado uma das avaliações mais importantes do mundo. No mesmo período, a média dos países desenvolvidos que compõem a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) registrou recuo. São Paulo reduziu a diferença histórica de proficiência entre os estudantes paulistas e os da OCDE em mais da metade nas três áreas avaliadas: ciências, leitura e matemática.
A avaliação internacional mede a capacidade de jovens de 15 anos de idade aplicarem conhecimentos na resolução de problemas do cotidiano e na vida em sociedade. Diferentemente de exames curriculares como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), que medem o aprendizado de conteúdos previstos na BNCC (Base Nacional Curricular Comum) e no Currículo Paulista por ano escolar, o Pisa é uma avaliação amostral e internacional focada em letramento prático e na capacidade de resolver problemas do cotidiano. A amostra do Pisa reúne estudantes matriculados a partir do 7º ano do Ensino Fundamental, independentemente da série em que se encontram.
No Brasil, foram avaliados 30.140 alunos. Em São Paulo, foram 2.239, selecionados por meio de sorteio.
Desempenho paulista e média geral
Na média simples das três áreas avaliadas, São Paulo registrou um crescimento de quase 11,7% entre 2006 e 2025, passando de 382,3 para 427,0 pontos. No mesmo intervalo, a média da OCDE sofreu uma retração para o índice de 95,65% do seu patamar inicial.
A trajetória reduziu a distância entre o estado e o bloco de países desenvolvidos. A defasagem em relação à OCDE caiu de 107,7 pontos em 2006 para 41,7 pontos em 2025, uma redução de 2,5 vezes no hiato de aprendizagem.
Ciências: maior salto em evolução
Foco da última avaliação, ciências representou o maior avanço de São Paulo desde 2006. O estado atingiu 443 pontos no Pisa 2025, um crescimento de 15% em relação aos 385 pontos registrados em 2006. Trata-se da maior taxa de expansão entre todas as disciplinas analisadas.
Em contrapartida, a média da OCDE recuou 2,63% em ciências no mesmo período. Com a evolução paulista, a distância para os países desenvolvidos caiu 2,8 vezes: a defasagem de 110 pontos apurada em 2006 encolheu para 39 pontos em 2025.
O avanço coincide com o foco do ciclo de 2025 em ciências, que avaliou a capacidade dos alunos de interpretar dados científicos, avaliar evidências e analisar fenômenos ambientais.
Leitura: SP mais próximo dos países desenvolvidos
Leitura é a disciplina em que a pontuação de São Paulo está mais próxima da média da OCDE. O estado alcançou 434 pontos em 2025, o que representa uma alta de 10,7% sobre os 392 pontos obtidos em 2006. A OCDE, com nota de 461 em 2025, registrou declínio no período, atingindo o índice de 95,05% em relação à sua nota de 2006.
A diferença de desempenho em leitura caiu mais de três vezes. O hiato, que era de 93 pontos em 2006, passou para 27 pontos na medição de 2025.
Matemática: redução do gargalo histórico
Tradicionalmente apontada como o principal gargalo de aprendizagem na Educação Básica, a área de matemática registrou crescimento de mais de 9% em São Paulo entre 2006 e 2025, saltando de 370 para 404 pontos.
Na OCDE, o desempenho em matemática recuou 5,5% no mesmo período. A defasagem dos estudantes paulistas frente à média internacional caiu pela metade: o diferencial de 120 pontos em 2006 foi reduzido para 59 pontos em 2025.
O secretário da Educação, Renato Feder, aponta que o resultado reflete ações de recomposição de aprendizagem e atualização curricular implementadas na rede estadual de ensino. “São Paulo teve a maior nota na história do Pisa. Nós ficamos à frente, inclusive, de nações europeias, como Grécia e Islândia, um país nórdico de forte tradição na educação. Ficamos melhor em matemática que os Emirados Árabes, um país rico, e, por fim, melhor que o Chile, que liderava a América Latina. Isso é refletido por um esforço dos professores, um trabalho incrível de cuidar da aprendizagem dos estudantes e também de um currículo atualizado”, afirma o secretário.
“A prova do Pisa mede não só o conhecimento puro, mas também a capacidade crítica do estudante, a sua capacidade de resolver problemas, seu raciocínio lógico. E é isso que a gente tem colocado no currículo”, continua Feder.
Entre as ações da Educação de SP nos últimos quatro anos, destacam-se:
- Ajuste curricular e carga horária: Organização dos itinerários formativos do Ensino Médio em três eixos (Exatas, Humanas e Ensino Médio Técnico), ampliação das aulas semanais de língua portuguesa, matemática e robótica, e criação das disciplinas de educação financeira;
- Programa de tutoria de aprendizagem: Atendimento intensivo em turmas reduzidas (10 a 15 alunos) para estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental com defasagens de aprendizagem. Avaliações diagnósticas de 2026 indicaram que alunos em tutoria evoluíram entre 1,7 e 2,9 vezes mais rápido em Português e Matemática que a média regular;
- Uso focado em tecnologia: O Estado implantou uma série de plataformas digitais para apoio ao trabalho docente, com destaque para ferramentas reconhecidas mundialmente para o aprendizado de matemática; e
- Regulamentação do uso de celulares: São Paulo também foi o primeiro estado do país a implementar restrições ao uso de celulares em sala de aula para fins não pedagógicos.
Nenhum comentário