Espetáculo “Alinha Céu, Fiás da Terra” encerra circulação gratuita pelo DF neste sábado (26), na Estrutural
Com direção artística de Roberta Martins e atuação do Duo Lianas, montagem une circo, teatro, dança, Arte Corpo e Bambu e saberes ancestrais de mulheres do Cerrado em apresentação gratuita na Quadra Coberta, ao lado do Centro de Múltiplas Funções
O encontro entre a potência das artes circenses, a fluidez da dança e a poética do ecofeminismo chega à Estrutural neste sábado (26), com a última apresentação da circulação do espetáculo “Alinha Céu, Fiás da Terra”. A sessão será realizada às 10h30, na Quadra Coberta, ao lado do Centro de Múltiplas Funções, com entrada gratuita e interpretação em Libras. A apresentação integra a programação do projeto Cerrado em Movimento.
Criado pelo Duo Lianas — formado pelas artistas Ana Nakamura e Ludmila Condé — e pela diretora Roberta Martins, o espetáculo coloca a mulher e a natureza no centro da cena. A partir da investigação poética sobre o trabalho manual das fiandeiras, artesãs, agricultoras e geraizeiras dos biomas brasileiros, a obra transforma gestos da lida rural em linguagem cênica viva. A narrativa aprofunda o significado da força laboral feminina como metáfora de resistência, adaptação e invenção de mundos.
Arte Corpo Bambu
A pesquisa cênica une modalidade de cordas e aéreos à Arte Corpo Bambu, expressão artística pioneira, nascida em Brasília, que vem ganhando a atenção do mundo nas fronteiras do circo contemporâneo. O espetáculo do Duo Lianas é dirigido por Roberta Martins, artista com mais de 28 anos de trajetória que sistematizou e criou o conceito dessa arte e é referência fundamental na história do desenvolvimento do Sistema Integral Bambu no DF, sendo a primeira professora e liderança feminina ao lado do seu criador Marcelo Rio Branco.
A cenografia não é mero suporte, mas uma escultura viva. Os aparelhos acrobáticos artesanais de bambu foram tratados e construídos pelas próprias artistas a partir da colheita feita em uma floresta com 50 anos de história. Investindo maior audácia, em cena, elas trançam cordas em imensa tecelagem de macramê que assegura o voo da dança aérea. O ambiente é ainda adornado e amplificado pela delicadeza das cabaças selecionadas junto à comunidade de Sagarana, no sertão de Minas Gerais, e tratadas manualmente no Distrito Federal. A composição final do cenário é construída e revelada sob o olhar do público. Testemunha e propaga em si muitas histórias femininas — não só das próprias artistas, mas de toda a teia de mulheres que de alguma forma trabalharam e inspiraram a obra.
A dimensão poética e humana dessa trama é destacada pelas criadoras do espetáculo. "O imaginário desse trabalho nasce da força, delicadeza e resistência das mulheres do Cerrado. Homenageamos mulheres como Dona Iana, geraizeira, extrativista de baru e liderança cultural da vila de Sagarana, amplamente conhecida por sua sabedoria popular", destaca a artista Ana Nakamura.
"Parte das cabaças utilizadas em cena foi plantada, colhida e seca pelas nossas próprias mãos; a outra metade veio diretamente de Sagarana, cultivada por mulheres agricultoras da comunidade. Já o tratamento e o acabamento artesanal de cada peça foram realizados em Brasília pelas mãos da artesã Alessandra de Kasia", completa a acrobata Ludmila Condé.
Ao final da sessão, o espaço cênico se ressignifica: o palco se abre e transforma-se em uma instalação artística e sensorial interativa, convidando o público a vivenciar de perto as matérias-primas e a refletir sobre a conexão entre corpo, território e preservação ambiental.
Acessibilidade e democratização da cultura
Reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à arte, a apresentação na Estrutural terá entrada gratuita e interpretação em Libras. A iniciativa busca ampliar o acesso à produção artística e aproximar o público de diferentes territórios do Distrito Federal de uma experiência que articula circo, dança, teatro, natureza e saberes tradicionais.
O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF) e conta com o suporte e acolhimento dos espaços de criação Galpoa, Galpão Bambu, Espaço Integrado e ASIBAMA-DF.
Serviço - “Alinha Céu, Fiás da Terra”
Projeto: Cerrado em Movimento
Data: 26 de setembro (sábado)
Horário: 10h30
Local: Quadra Coberta, ao lado do Centro de Múltiplas Funções — Estrutural
Classificação indicativa: Livre
Entrada: Gratuita
Acessibilidade: Interpretação em Libras
Mais informações: @duo_lianas
No comments