Estado de SP lidera investimento em infraestrutura no Brasil com R$ 493,7 bilhões em projetos de transporte e logística
Dados da CNT mostram que estado concentra 23% dos investimentos no país; Governo de SP amplia infraestrutura com iniciativas como São Paulo pra Toda Obra e SP nos Trilhos
O estado de São Paulo concentra R$ 493,7 bilhões em investimentos previstos em infraestrutura de transporte e logística, o equivalente a 23% da carteira nacional mapeada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Segundo a sétima edição do Plano CNT de Transporte e Logística, atualizada em 2026, o montante da carteira paulista reúne investimentos distribuídos pelos diferentes modais, entre intervenções rodoviárias, ferroviárias, metroferroviárias, portuárias, hidroviárias, aeroportuárias e terminais.
O volume coloca o estado na liderança nacional com ampla diferença sobre os demais estados. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com R$ 289,3 bilhões (13,6%), seguido por Paraná, com R$ 146,4 bilhões (6,9%); Pará, com R$ 137,3 bilhões (6,5%); e Rio Grande do Sul, com R$ 125,8 bilhões (5,9%), .
Desde 2023, SP reforçou investimentos públicos, concessões e parcerias com a iniciativa privada para ampliar e modernizar a infraestrutura paulista. Programas como o São Paulo pra Toda Obra e o SP nos Trilhos, do Governo de SP, reúnem obras em execução, projetos contratados e novos empreendimentos de transporte, ao lado de concessões rodoviárias e ferroviárias. A CNT cita 87 projetos de integração nacional e 41 projetos urbanos em SP, distribuídos entre os diferentes modais, incluindo projetos em desenvolvimento e novas intervenções
Rodovias
O São Paulo Pra Toda Obra registrou em seu primeiro ano R$ 144,6 bilhões em investimentos públicos e privados. São 61,8 mil quilômetros de rodovias, o equivalente a uma volta e meia na Terra. Ao longo de um ano, o total de intervenções alcançou 4.300 obras públicas e privadas. O programa abrange projetos até 2055, consolidando ações estratégicas de política pública de longo prazo voltadas à modernização da infraestrutura e ao desenvolvimento do Estado. O programa reúne obras de recuperação, pavimentação, duplicação, construção de novos trechos, melhorias de interseções e outras intervenções destinadas à modernização da malha.
O programa incorpora obras estruturantes, como a conclusão do Rodoanel Norte. Retomadas em 2024 após seis anos de paralisação, as obras têm investimento total de cerca de R$ 3,4 bilhões. O primeiro trecho foi entregue em dezembro de 2025 e o segundo tem previsão de conclusão ainda neste ano.
As concessões formam outro eixo da expansão da infraestrutura rodoviária. A Rota Sorocabana e a Nova Raposo, que iniciaram operação em 2025, já acumularam mais de R$ 600 milhões em investimentos nos primeiros 12 meses, enquanto os dois contratos preveem mais de R$ 16 bilhões ao longo da concessão.
Em 2026, o Estado também avançou com a Rota Mogiana, concessão de 520 quilômetros de rodovias que prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos. O projeto inclui mais de 217 quilômetros de duplicações, 138 quilômetros de faixas adicionais e 86 quilômetros de novas marginais, além de intervenções de segurança viária.
O estudo da CNT cita 353,4 quilômetros de adequações de rodovias, 240,9 quilômetros de novas rodovias, 474,1 quilômetros de duplicações e 118,6 quilômetros de recuperação de pavimento, além de 430,9 quilômetros de sistemas de priorização.
Expansão dos trilhos
No transporte sobre trilhos, o Governo de São Paulo estruturou o SP nos Trilhos, programa que reúne mais de 40 projetos, com investimentos estimados em R$ 194 bilhões e mais de 1 mil quilômetros de malha ferroviária, incluindo Trens Intercidades, trens urbanos, metrô e VLTs, abrangendo a Grande São Paulo, o interior e o litoral.
Parte desses projetos já deixou a etapa de planejamento e está em implantação. O TIC Eixo Norte, que ligará São Paulo a Campinas, prevê investimento de R$ 14,2 bilhões e inclui ainda o Trem Intermetropolitano entre Jundiaí e Campinas.
A concessão do Lote Alto Tietê, que envolve as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O contrato prevê expansão e modernização dos três ramais, integrando o projeto à estratégia de ampliação da rede metroferroviária paulista por meio de investimentos privados.
Além dos projetos concedidos, o Governo do Estado mantém investimentos diretos na expansão e modernização do sistema. Nos últimos anos, foram investidos R$ 42,5 bilhões na expansão e modernização da rede do Metrô e da CPTM, incluindo novas linhas, reformas e reconstrução de estações, modernização de sistemas e aquisição de trens. O valor não inclui os investimentos realizados por meio dos contratos de concessão.
Desde o início da atual gestão, foram entregues 12,1 quilômetros de extensão, com a inauguração da Linha 17-Ouro e as expansões das linhas 11-Coral, até Palmeiras-Barra Funda, e 9-Esmeralda, até Varginha.
No Metrô, estão em construção as extensões da Linha 2-Verde, entre Vila Prudente e Penha, com futura ligação até Dutra, em Guarulhos, e da Linha 15-Prata, com as estações Jacu Pêssego, Boa Esperança e Ipiranga.
Os dois projetos somam R$ 28 bilhões em investimentos, quase 19 quilômetros adicionais de trilhos e 16 novas estações, com capacidade estimada de transportar cerca de 1 milhão de passageiros por dia.
Também avançam os estudos das futuras Linhas 19-Celeste, 20-Rosa e 22-Marrom. Juntas, elas representam mais de 100 quilômetros de projetos em diferentes estágios de desenvolvimento e têm potencial para transportar mais de 2,4 milhões de passageiros por dia.
Outro projeto de grande porte é a Linha 6-Laranja, implantada por meio de parceria público-privada e com a primeira parte já inaugurada. A linha terá 15,3 quilômetros e 15 estações, conectando a região noroeste da capital à região central.
A expansão da Linha 4-Amarela também avança com as obras de extensão até Taboão da Serra. Com investimentos superiores a R$ 4 bilhões, o projeto acrescentará 3,3 quilômetros à linha e duas novas estações - Chácara do Jockey, na capital, e Taboão da Serra, na Região Metropolitana -, levando pela primeira vez a rede metroviária diretamente a um município fora da capital. Atualmente, as obras estão concentradas nas estruturas que darão acesso às frentes de escavação dos túneis. A extensão deverá beneficiar cerca de 50 mil novos passageiros por dia.
A escala da expansão metroferroviária também aparece no Plano CNT. Para São Paulo, o estudo prevê R$ 173,2 bilhões em projetos de construção de metrôs e trens urbanos, correspondentes a 269 quilômetros. A carteira inclui ainda R$ 20,8 bilhões para 170,3 quilômetros de monotrilhos, VLTs e aeromóveis.
Ferrovias e logística
O estudo da CNT também contempla a expansão da infraestrutura ferroviária voltada à logística. São 1.048,9 quilômetros de novas ferrovias, com investimentos estimados em R$ 62 bilhões, além de 1.964 quilômetros de recuperação ferroviária, estimados em R$ 23 bilhões.O levantamento inclui ainda 849,6 quilômetros de projetos de trem de alta velocidade, com estimativa de R$ 96 bilhões.
No setor portuário, estão previstos projetos de acesso terrestre aos portos, com 16,4 quilômetros de intervenções e R$ 11,6 bilhões em investimentos, além de projetos para áreas portuárias e construção de novos portos.
Ranking dos estados por volume de investimentos em infraestrutura de transporte e logística, segundo a CNT
São Paulo — R$ 493,7 bilhões (23,2%)
Minas Gerais — R$ 289,3 bilhões (13,6%)
Paraná — R$ 146,4 bilhões (6,9%)
Pará — R$ 137,3 bilhões (6,5%)
Rio Grande do Sul — R$ 125,8 bilhões (5,9%)
Mato Grosso — R$ 123,1 bilhões (5,8%)
Rio de Janeiro — R$ 92,9 bilhões (4,4%)
Bahia — R$ 91,5 bilhões (4,3%)
Goiás — R$ 87,6 bilhões (4,1%)
Santa Catarina — R$ 74,5 bilhões (3,5%)
Tocantins — R$ 57,1 bilhões (2,7%)
Maranhão — R$ 42,8 bilhões (2,0%)
Mato Grosso do Sul — R$ 42,2 bilhões (2,0%)
Pernambuco — R$ 40,0 bilhões (1,9%)
Ceará — R$ 38,9 bilhões (1,8%)
Distrito Federal — R$ 37,4 bilhões (1,8%)
Piauí — R$ 28,8 bilhões (1,4%)
Rondônia — R$ 27,9 bilhões (1,3%)
Rio Grande do Norte — R$ 27,8 bilhões (1,3%)
Espírito Santo — R$ 26,9 bilhões (1,3%)
Amazonas — R$ 26,6 bilhões (1,3%)
Paraíba — R$ 20,5 bilhões (1,0%)
Alagoas — R$ 17,7 bilhões (0,8%)
Acre — R$ 14,9 bilhões (0,7%)
Roraima — R$ 6,5 bilhões (0,3%)
Amapá — R$ 3,9 bilhões (0,2%)
Sergipe — R$ 3,1 bilhões (0,1%)
Nenhum comentário