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Exploração sexual e tráfico de pessoas também passam pelas rodovias

Profissionais do transporte e empresas podem ampliar a rede de proteção ao identificar situações de risco e orientar sobre canais de denúncia

Divulgação

O combate ao tráfico de mulheres e crianças e à exploração sexual também envolve quem está nas estradas. Motoristas, transportadores e profissionais que realizam viagens a trabalho circulam por diferentes cidades, rodovias, postos de parada e estabelecimentos, o que os coloca em contato com situações que podem envolver vulnerabilidade e violações de direitos. A preparação dessas equipes para reconhecer sinais de risco e saber como agir pode ampliar a rede de proteção.

O tema ganha espaço no dia 23 de setembro, Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças. A data chama atenção para crimes que, em determinadas circunstâncias, estão relacionados. O tráfico pode ser utilizado para exploração sexual de crianças e adolescentes, além de outras finalidades criminosas, como trabalho forçado, extração de órgãos e adoção ilegal.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg) é signatário do programa “Na Mão Certa”, iniciativa da Childhood Brasil que reúne empresas, entidades e organizações para prevenir a exploração sexual de crianças e adolescentes no país. O compromisso do sindicato também envolve manter o tema presente no diálogo com o setor e reforçar a responsabilidade das empresas diante de violações que podem ocorrer em diferentes contextos sociais.

A dimensão territorial do transporte rodoviário cria uma oportunidade para o setor contribuir com a identificação de situações suspeitas. A proposta não é transformar motoristas ou funcionários em agentes de investigação, mas oferecer informação para que saibam reconhecer circunstâncias que merecem atenção e acionar os canais responsáveis. “Uma empresa que prepara seus profissionais para reconhecer uma situação de vulnerabilidade também fortalece sua responsabilidade social. O motorista pode saber identificar uma situação suspeita, preservar sua segurança e encaminhar a informação para quem tem competência para apurá-la”, afirma o presidente do Setcemg, Antonio Luis da Silva Junior

A orientação pode alcançar também profissionais de áreas que fazem viagens corporativas. Equipes comerciais, técnicas e administrativas que se deslocam por diferentes regiões estão sujeitas às mesmas situações de exposição e podem receber informações básicas sobre prevenção e denúncia.

O tema ganha relevância em um setor cuja atividade depende da circulação permanente de pessoas e mercadorias. A presença de profissionais em diferentes pontos do território pode contribuir para uma rede de atenção mais ampla, desde que acompanhada de treinamento, protocolos internos e conhecimento sobre os canais oficiais.

Denúncia deve chegar aos canais adequados

Diante de uma suspeita, a recomendação é não confrontar possíveis envolvidos nem tentar confirmar a ocorrência por conta própria. Informações como local, horário, características da situação e outros dados que possam auxiliar a apuração devem ser encaminhadas às autoridades ou aos serviços especializados.

O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive casos envolvendo crianças e adolescentes, o serviço funciona 24 horas. O Ligue 180 recebe denúncias e presta orientação sobre violência contra mulheres. Em situações de emergência ou risco imediato, o contato deve ser feito com a Polícia Militar pelo 190. “Precisamos fazer com que a informação chegue a quem está na ponta. Quando um profissional sabe que determinada situação pode representar uma violação e conhece o canal adequado para comunicar o fato, ele passa a fazer parte de uma rede que envolve empresas, poder público e sociedade”, afirma Antonio Luis.

A mobilização do setor de transporte no tema reforça que a prevenção não depende apenas da atuação dos órgãos de segurança e assistência. Empresas podem contribuir por meio da capacitação de equipes, da disseminação de informações e da criação de uma cultura interna de proteção, enquanto profissionais que circulam pelas estradas podem ajudar a levar suspeitas aos canais responsáveis pela investigação.

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