No Cohab USA Podcast, Netinho fala sobre esquerda, MDB e representação negra
Em entrevista a Fábio Nascimento, Claytinho e Edu, cantor e candidato a deputado federal explica retorno à política e diz ter encontrado no MDB espaço para assumir posição de liderança na pauta racial

Netinho de Paula falou sobre política, representação negra e sua decisão de disputar uma vaga a deputado federal pelo MDB em entrevista ao Cohab USA Podcast. Na conversa, o cantor explicou porque voltou à vida pública, comentou sua trajetória em partidos de esquerda e defendeu que o debate racial também avance no centro e na direita.
Ao falar sobre a escolha do MDB, Netinho afirmou que encontrou no partido espaço para assumir uma posição de liderança na discussão racial. Segundo ele, o convite incluiu uma frente dedicada ao tema, oportunidade que disse não ter recebido nas legendas de esquerda pelas quais passou.
“Isso nunca aconteceu comigo. Em nenhum partido de esquerda que eu fui. Toda vez que a gente chega parece que é um incômodo”, afirmou. “Eles falam nas nossas causas, defendem e tal, mas ali você só pode apenas debater.
Para Netinho, a mudança para uma legenda de centro permite levar suas pautas a outro campo político sem abandonar as convicções que marcaram sua trajetória.
“O nosso pensamento, o nosso ideal, a nossa luta é a mesma. Se eu puder ampliar em outros campos, eu vou ampliar, não reduzir.”
O retorno à política, segundo ele, também está relacionado à baixa presença de pessoas negras nos espaços de decisão. “Quando a gente vê os rumos que a nação está tomando e qual é a opinião negra no que tá acontecendo em termos de país, a gente não vê a gente”, disse.
“Se eu não usar esse meu status, se eu não usar o meu sucesso, o meu tamanho em prol da política, quem que vai?”
Ex-vereador de São Paulo e ex-secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Netinho afirmou que pretende ampliar os espaços de discussão sobre racismo e representação negra. “Não pode ser só pauta da esquerda. A gente precisa discutir a questão do racismo no centro e também na direita.”
A entrevista também abordou educação, saúde, transporte, trabalho, acesso à Justiça e políticas para as periferias. Netinho relembrou a infância pobre, falou sobre a experiência da Casa da Gente e o papel da cultura e das escolas de samba na formação de jovens. Fora da política, comentou a carreira artística e antecipou novos projetos musicais em família.
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