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Outubro está chegando. Qual será o voto de sua empresa para 2027?

*Por Fernando Moulin, CEO & Founder da Polaris Group, professor e especialista em dados, transformação digital e experiência do cliente

 

No início de 2026, o diagnóstico parecia pronto antes mesmo de o ano começar: teremos um ano perdido. Afinal, o calendário registrava muitos feriados longos, Copa do Mundo duraria infinitos 40 dias e haveria eleições tensas no fim do ano. Para algumas empresas, desde então o calendário virou explicação antecipada para vendas mais lentas, decisões adiadas e investimentos em compasso de espera. Juntando a isso o cenário macroeconômico, então… aí, realmente o ano estava perdido.

 

Bem: os feriados passaram. A Copa terminou em 19 de julho, infelizmente com mais uma derrota do escrete canarinho. E agora, enquanto o debate eleitoral volta a ocupar a agenda, em mais dois meses também iremos ter as escolhas populares consolidadas e novos (ou velhos novos) governantes definidos.

 

Não sabemos quem vencerá. As pesquisas se movem, as alianças mudam e a campanha ainda produzirá muito ruído. Pode ganhar a esquerda, pode ganhar a direita. O resultado importa e terá consequências. Mas, na manhã seguinte à eleição, sua empresa continuará com clientes para atender, gente para desenvolver, caixa para proteger, concorrentes para enfrentar e decisões para tomar. A urna escolherá um governo. Ela não escreverá a estratégia da sua companhia.

 

Enquanto as pessoas se mobilizam para as eleições, sua empresa está realizando os exercícios orçamentários devidos para escolher se passará 2027 reagindo ou liderando.

 

É verdade que o próximo governo receberá uma agenda econômica difícil. A Selic foi reduzida em agosto, mas permanece em 14% ao ano e com perspectivas sombrias. O custo do capital continua alto, a questão fiscal seguirá na mesa com preponderância e diferentes setores trabalharão com cenários que vão de crescimento moderado a uma desaceleração mais forte. No primeiro trimestre, a necessidade líquida de financiamento do governo geral alcançou 5,73% do PIB, segundo o Tesouro Nacional. Não é pessimismo reconhecer essas restrições. É irresponsabilidade usá-las como licença para não decidir.

 

É justamente agora, na temporada de orçamento, que as empresas escolhem de que lado estarão em 2027. E não estou falando de lado partidário. Há o time da espera: acompanha cada pesquisa, especula sobre ministros, culpa juros, feriados e Brasília e deixa a inovação para depois da posse. E há o time da construção: trabalha com cenários, protege o essencial e direciona recursos para aquilo que pode mudar produtividade, receita e experiência do cliente.

 

Planejar um cenário adverso não significa paralisar. Significa decidir antes o que acelerar, o que interromper e onde concentrar energia. A empresa preparada não depende de acertar o nome do vencedor. Ela cria opções para responder rapidamente a qualquer vencedor. Quem espera todas as variáveis se acomodarem não reduz risco; apenas entrega tempo aos concorrentes.

IA em escala e não como enfeite de PowerPoint

 

O uso empresarial de inteligência artificial no Brasil avançou de 13% em 2024 para 17% em 2025. Entre as grandes empresas, chegou a 50%. Os números mostram duas coisas ao mesmo tempo: a corrida começou e ainda existe enorme espaço para diferenciação. Mas instalar uma ferramenta, liberar um chatbot ou promover um hackathon não coloca ninguém na liderança. O desafio de 2027 é sair do experimento isolado e levar IA para processos reais, com dados, governança, responsáveis e métricas de negócio.

 

Isso pode significar redesenhar o atendimento, antecipar necessidades dos clientes, aumentar a produtividade comercial, reduzir retrabalho, melhorar decisões e desenvolver novos produtos e serviços. Cada empresa terá prioridades diferentes. O que não muda é a ordem: primeiro o problema de negócio; depois a tecnologia. Ser AI-first não é ser tool-first. É tratar a inteligência artificial como capacidade estratégica, e não como coleção de licenças.

 

Existe um ditado simples: quem chega primeiro bebe água limpa. No mundo da inovação, chegar primeiro não significa comprar tudo antes de todos. Significa aprender antes. A empresa que começa agora descobre mais cedo o que funciona, forma suas pessoas, corrige seus dados, ajusta processos e entra em 2027 com repertório. A que deixa para janeiro começará o ano procurando orçamento, patrocinador, caso de uso e coragem, enquanto outros já estarão acumulando aprendizado.

 

Faltam pouco mais de quatro meses para 2027. No plano profissional, vale a mesma pergunta: você vai passar esse tempo comentando o cenário, buscando desculpas prontas ou desenvolvendo as competências que o novo cenário exigirá? Não existe “feliz ano novo, vida nova” capaz de compensar uma decisão que deveria ter sido tomada neste momento.

 

Faça chuva ou faça sol em outubro, haverá um país para administrar e empresas para liderar. O vencedor da eleição ajudará a definir as condições do jogo. Mas o lado que você escolhe agora, o da espera ou o da inovação, definirá como chegará a ele. 2027 não começa em janeiro. Já começou há tempos...

 

*Fernando Moulin é CEO & Founder da Polaris Group, aceleradora estratégica de negócios, professor e palestrante internacional, especialista em dados, transformação digital e experiência do cliente e coautor dos best-sellers "Inquietos por natureza", "Você brilha quando vive sua verdade" e “Foras da curva” (todos da Editora Gente, 2024) - E-mail: fernandomoulin@nbpress.com.br.

 

Sobre Fernando Moulin

Fernando Moulin é CEO & Founder da Polaris Group, aceleradora estratégica de negócios que atua como bússola organizacional em tempos de incerteza, apoiando líderes e empresas a transformar complexidade em vantagem competitiva. Nascido em 1976, na cidade de Volta Redonda (RJ), ele é um dos principais especialistas brasileiros em transformação digital, inovação e gestão da experiência do cliente, além de ser um dos pioneiros do Marketing Digital/CRM no país. Graduado em Engenharia Química pela Unicamp, possui MBA Executivo Internacional pela FIA-USP e realizou cursos de marketing e negócios em diversas instituições internacionais, como Kellogg/NorthWestern (Estados Unidos), INSEAD (França), Cambridge (Reino Unido) e Lingnan University (China). Eleito em 2022 para o Hall of Fame da Associação Brasileira de Dados (ABEMD), tem mais de 25 anos de experiência e passagens executivas em funções de liderança em grandes organizações, como Telefônica/Vivo, Cyrela, Nokia, Pão de Açúcar, Claro, Citibank, entre outras. Cofundador da Malbec Angels, mentor de startups e advisor estratégico, também é palestrante profissional e professor de disciplinas ligadas a suas áreas de expertise em instituições como ESPM, INSPER e Live University, além de ser colunista de diversos veículos importantes de mídia, jurado de premiações de mercado. Fernando também é coautor das obras coletivas best-sellers "Inquietos por natureza", organizada por João Kepler, "Você brilha quando vive sua verdade: transformando fragilidades em fortalezas", organizada por Eduardo Shinyashiki e Kareemi, e “Foras da curva: construa resultados que falam por si próprios”, organizada por Luiz Fernando Garcia, todas publicadas pela Editora Gente. Para mais informações, acesse: www.fernandomoulin.com, www.linkedin.com/in/fernandomoulin/ ou veja a palestra no TEDxSP: https://www.youtube.com/watch?v=6tUJuZopcsA

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