Polícia Civil de São Paulo prende na Bolívia dois foragidos ligados ao crime organizado
Beiço de Mula e Betinho foram capturados em Santa Cruz de la Sierra; operação contou com a participação da Polícia Federal e das autoridades bolivianas
Dois foragidos da Justiça brasileira, apontados como integrantes de uma organização criminosa, foram presos pela Polícia Civil de São Paulo em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Márcio Barbosa Silva, conhecido como Beiço de Mula, e Roberto Prieto Filho, conhecido como Betinho, foram capturados nos dias 19 e 22 de setembro, respectivamente, durante a Operação Sem Fronteira. As prisões foram resultado de cerca de oito meses de investigação, que incluiu mais de dez dias de monitoramento presencial dos alvos no país vizinho e contou com a participação da Polícia Federal e das autoridades bolivianas.
Para o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o resultado da operação é fruto da atuação integrada entre as instituições. “É um fato inédito. O sucesso dessa operação é resultado da integração entre a Polícia Civil, a Polícia Federal e as forças de segurança da Bolívia”, afirmou. O trabalho começou cerca de oito meses antes das capturas, quando a Polícia Civil identificou que os dois foragidos, apontados como lideranças de uma organização criminosa, estavam escondidos na Bolívia.
A partir daí, a Divisão de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) iniciou as investigações e passou a articular a operação com a Polícia Federal, por meio da Interpol (International Criminal Police Organization, em inglês) e do oficial de ligação brasileiro na Bolívia, além das forças de segurança locais.
“Foram meses de investigação, meses de vigilância, até que chegamos ao ponto de dirigirmos nossas equipes para a cidade de Santa Cruz de la Sierra”, explicou o delegado-geral de Polícia, Artur Dian, que esteve pessoalmente na Bolívia para acompanhar a operação.
Mais de 10 dias de monitoramento
Com as tratativas avançadas, policiais civis de São Paulo foram enviados a Santa Cruz de la Sierra e permaneceram mais de 10 dias no país, acompanhando a rotina dos investigados. Embora se conhecessem e estivessem na mesma cidade, Beiço de Mula e Betinho não atuavam juntos e eram alvos de investigações distintas.
A operação contou com a participação da equipe policial boliviana especializada no combate ao narcotráfico, além dos policiais federais que atuam no país. “Foi uma operação emblemática porque é a primeira vez que percebemos uma força de segurança estadual conseguir fazer uma operação em outro país”, destacou Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Dope.
A integração foi fundamental para que uma investigação iniciada em São Paulo pudesse avançar em território estrangeiro. Para o superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Rodrigo Sanfurgo, o trabalho mostra a importância da cooperação entre instituições no combate ao crime organizado. “O futuro do combate ao crime organizado passa por essas iniciativas de integração das forças de segurança e de intercâmbio de informações.”
Capturas
Depois da prisão local de Beiço de Mula no último dia 19, ele foi expulso do país e entregue às autoridades brasileiras, sendo levado de volta a São Paulo. Três dias depois, em 22 de setembro, os policiais chegaram a Betinho, que também era procurado no Brasil. Ele mantinha uma estrutura de segurança própria na Bolívia e continuava envolvido com o tráfico internacional de drogas.
Betinho também é apontado como sócio de André do Rap, uma das principais lideranças da organização crimi. O investigado ficou conhecido ainda por ter sido resgatado de uma unidade policial no litoral de São Paulo, em 2022, durante uma ação que envolveu diversos criminosos.
No comments