Poluição cai em seis afluentes do Rio Tietê na cidade de São Paulo
Redução chega a ser de 31% no Rio Cabuçu de Cima; resultados são acompanhados pela ampliação de ações do Governo de São Paulo para recuperação do rio, como ampliação do tratamento de esgoto e o desassoreamento
Seis rios e córregos que atravessam a cidade de São Paulo e deságuam no Rio Tietê apresentaram redução da poluição orgânica nos últimos dois anos. O avanço celebrado nesta terça-feira (22), Dia do Rio Tietê, é acompanhado pelas ações de recuperação do Governo de São Paulo com a ampliação da coleta e tratamento do esgoto e o reforço nas ações de desassoreamento. A maior redução foi registrada no Rio Cabuçu de Cima, na zona norte, onde a concentração de matéria orgânica passou de 39 mg/L, em 2024, para uma média de 27 mg/L entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre deste ano, uma queda de 31%.
Os dados fazem parte de levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Aricanduva e Cabuçu de Baixo também se destacaram, ambos com melhora de 26%. As concentrações passaram, respectivamente, de 21 mg/L para 16 mg/L e de 28 mg/L para 21 mg/L.
Os outros três afluentes são o Córrego Carandiru/Carajás, com melhora de 14%; o Rio da Pedra, com 13%; e o Tamanduateí, com 11%.
O levantamento usa como referência o Carbono Orgânico Total, ou COT, indicador que mede a quantidade de matéria orgânica presente na água e ajuda a identificar a poluição associada, principalmente, ao lançamento de esgoto. Quanto menor o resultado, melhor é a condição do rio.
Monitoramento acompanha obras de saneamento
Para medir os efeitos das obras de saneamento, a Cetesb ampliou de 11 para 30 o número de afluentes monitorados na Região Metropolitana. A nova rede começou a operar em janeiro de 2024.
Os pontos foram instalados prioritariamente em locais onde estavam previstas intervenções da Sabesp para aumentar a coleta e o tratamento de esgoto. A proposta é verificar se os resultados aparecem primeiro nos rios e córregos dos bairros e, depois, chegam ao Tietê.
A expansão coincide com a aceleração das obras da Sabesp após a desestatização da companhia, em 2024. Com uma rede mais abrangente, a Cetesb consegue identificar onde os investimentos já produzem efeitos e quais áreas ainda precisam avançar.
Para cada afluente, os dados de 2024 foram comparados com a média das medições realizadas nos dois últimos trimestres de 2025 e nos dois primeiros de 2026.
“A recuperação do Tietê começa dentro dos bairros, nos córregos e rios que recebem a água da cidade. Com a ampliação das obras da Sabesp, após a desestatização, mais esgoto passou a ser coletado e tratado. O monitoramento da Cetesb permite verificar onde esse avanço já aparece e onde ainda é preciso concentrar esforços”, afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística.
O que é área de drenagem?
Além da variação percentual, a Cetesb considera o tamanho do território que envia água para cada rio ou córrego, a chamada área de drenagem. Quanto maior esse território, maior tende a ser o volume de água transportado e a influência do afluente sobre o Tietê. Por isso, uma redução menor em um rio de grande porte também pode ter peso importante no resultado geral.
É o caso do Tamanduateí. Embora tenha apresentado melhora de 11%, ele recebe água de uma área de 330,6 km², a maior entre os seis afluentes destacados. Na prática, o rio reúne contribuições de uma parcela extensa e densamente urbanizada da metrópole.
O Cabuçu de Cima drena 134,6 km²; o Aricanduva, 102,4 km²; e o Cabuçu de Baixo, 43,5 km². Já o Córrego Carandiru/Carajás e o Rio da Pedra recebem água de áreas menores, de 8,5 km² e 4,7 km², respectivamente.
No cálculo do conjunto, os rios com maior área de drenagem recebem peso proporcionalmente maior do que os córregos de pequeno porte.
Conjunto dos afluentes tem redução de 23%
Os resultados na capital fazem parte de uma melhora observada em diferentes pontos da Região Metropolitana. Dos 30 afluentes avaliados individualmente pela Cetesb, 13 registraram diminuição da matéria orgânica.
Considerando o peso da área drenada por cada um, a concentração média passou de 26 mg/L, em 2024, para 23,7 mg/L em 2025 e chegou a 20,1 mg/L em 2026. A queda acumulada foi de 23% em dois anos.
O resultado de 2026 também ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L prevista pelo IntegraTietê para o período.
O avanço já aparece no próprio Tietê. Na saída da Grande São Paulo, a quantidade de matéria orgânica transportada pelo rio recuou de 218 para 154 toneladas por dia entre 2024 e 2026. São 64 toneladas a menos diariamente, uma diferença de aproximadamente 29%.
Os resultados integram o IntegraTietê, programa lançado pelo Governo de São Paulo em 2023. Desde então, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, beneficiando cerca de 4,5 milhões de pessoas. As diferentes frentes do programa somam mais de R$ 22 bilhões em investimentos em saneamento, desassoreamento, fiscalização, monitoramento da qualidade da água, recuperação ambiental e requalificação das margens.
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