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Quality of Hire muda a forma como empresas avaliam o sucesso das contratações

Além do tempo para preencher vagas, indicador considera desempenho, adaptação e permanência dos profissionais

Preencher uma vaga rapidamente não significa, necessariamente, que o processo de recrutamento foi bem-sucedido. Para o RH, o resultado da contratação também aparece nos meses seguintes, quando é possível observar o desempenho, a adaptação e a permanência do profissional. É nesse acompanhamento que o Quality of Hire (Qualidade da Contratação) vem ganhando espaço entre as práticas de gestão de pessoas.

A proposta é ampliar a análise para além de indicadores como tempo de preenchimento da vaga e número de candidatos avaliados. Depois da admissão, a empresa passa a observar fatores como desempenho nos primeiros meses, tempo de adaptação, avaliação do gestor, alcance da produtividade esperada e permanência na organização.

Esses dados ajudam o RH a identificar padrões e entender quais características estão presentes nas contratações que apresentam melhores resultados. Os critérios podem variar de acordo com a função. Em uma área comercial, por exemplo, o alcance das metas pode ter maior peso. Em outras posições, domínio técnico, qualidade das entregas ou adaptação à equipe podem ser mais relevantes.

Para Kauã Leandro, gerente de Novos Negócios do Trabalha Brasil (TBR) e especialista em mercado de trabalho, acompanhar o profissional depois da contratação permite identificar problemas que não necessariamente aparecem durante o processo seletivo.

“Muitas vezes, a contratação é feita de forma rápida, mas o profissional deixa a empresa em poucos meses. Quando a empresa acompanha desempenho, adaptação e permanência, consegue entender se o problema está na seleção, no perfil buscado ou até mesmo na integração desse profissional”, afirma.

Acompanhamento ajuda a corrigir falhas no recrutamento

O Quality of Hire não se limita a avaliar se o profissional contratado permaneceu ou não na empresa. A análise dos resultados ao longo do tempo pode ajudar a entender o que funcionou e o que precisa ser ajustado no próprio processo de recrutamento.

Uma taxa elevada de desligamentos nos primeiros meses, por exemplo, pode levar a empresa a revisar os critérios utilizados na seleção, a descrição da vaga ou a forma como as informações sobre a posição são apresentadas aos candidatos. Da mesma forma, bons resultados de desempenho e permanência podem indicar quais características devem ser valorizadas em processos futuros.

O acompanhamento também ajuda a dimensionar o impacto de uma contratação que não evolui como esperado. Além de reiniciar o processo seletivo, a empresa pode ter novos custos com divulgação, seleção, admissão, treinamento e integração. Em posições que exigem maior período de adaptação, a saída precoce também significa perder parte do investimento feito para preparar o profissional.

Por isso, a avaliação pode começar ainda durante o período de experiência, com acompanhamentos aos 30, 60 e 90 dias, e continuar em períodos mais longos. A comparação desses resultados permite verificar se o perfil selecionado corresponde às necessidades da função e da empresa.

Para o RH, o ganho está em usar os resultados das contratações para aperfeiçoar os processos seguintes. Se determinados perfis apresentam maior permanência e desempenho, essas informações podem orientar a descrição das vagas, os critérios de seleção e até os canais utilizados para encontrar candidatos.

Na avaliação de Kauã Leandro, o uso desse tipo de indicador representa uma mudança na própria forma de enxergar o recrutamento. “A contratação não termina quando o candidato aceita a proposta. É preciso acompanhar o que acontece depois para entender se aquela escolha realmente funcionou e usar esse aprendizado para tornar os próximos processos mais assertivos”, afirma.

Trabalha Brasil

O Trabalha Brasil é composto por um time de mais de 100 profissionais de tecnologia e Recursos Humanos, que se dedicam para aprimorar a plataforma que atende cada vez mais as necessidades dos trabalhadores, que buscam dignidade financeira por meio do trabalho.

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