Setembro Amarelo: Suicídios na Polícia Penal de São Paulo cresceram 150% em 5 anos
Casos de depressão, ansiedade e síndrome do pânico afastam 5% dos servidores ativos da Polícia Penal
O mês dedicado à prevenção do suicídio chegou acompanhado de uma notícia que resume o estado de calamidade na Polícia Penal de São Paulo. Em pleno Setembro Amarelo, a categoria registrou a sexta morte por suicídio em 2026, ultrapassando os cinco casos contabilizados em 2025. A vítima mais recente é um policial penal lotado no Centro de Detenção Provisória de Campinas. Nos últimos cinco anos, os suicídios entre policiais penais saltaram de dois casos em 2020 para cinco em 2025, um aumento de 150%. Os dados são do Sindicato da Polícia Penal de São Paulo (Sinppenal).
A epidemia de problemas de saúde mental entre os policiais é um assunto que vem sendo estudado nos últimos anos, mas o Governo vem falhando em cuidar daqueles que protegem a população. “Não há uma estrutura adequada para atender o policial em crise. O IAMSPE, que é o plano de saúde do Estado, não oferece a assistência necessária e não há programas descentralizados para apoiar os policiais em todo o estado. O resultado é que cada vez mais servidores vêm sendo afastados de suas funções por quadros de depressão, ansiedade generalizada e síndrome do pânico”, comenta o presidente do Sindicato da Polícia Penal de São Paulo, Fábio Jabá.
A Polícia Penal é apontada como a profissão mais estressante entre as carreiras de segurança pública. Um estudo da Universidade de São Paulo revelou que a expectativa de vida dos servidores era de apenas 45 anos, enquanto a média dos brasileiros chegava a 73. A diferença de quase três décadas é resultado do convívio diário com a violência, a tensão constante e a desesperança que dominam o ambiente das prisões. O mesmo estudo aponta que doenças como hipertensão, diabetes e ganho de peso corroem a qualidade de vida dos servidores, e que o adoecimento físico caminha lado a lado com o desgaste psicológico.
O levantamento do Sinppenal revela a origem do adoecimento dos policiais: superlotação das unidades prisionais; déficit de 40% no quadro de funcionários; sobrecarga de trabalho; desvalorização salarial e profissional e os desafios inerentes da atuação no sistema prisional. Tudo isso corrói a saúde mental de quem trabalha nas prisões. Aproximadamente 5% dos servidores ativos estão afastados de suas funções por transtornos psíquicos. “O pior de tudo é que não há uma política abrangente de apoio à saúde dos servidores. Policiais estão morrendo por falta de cuidado", afirma Fábio Jabá.
O Sinppenal vem cobrando, ao longo dos anos, a criação de uma ampla rede de atenção à saúde mental dos policiais penais, a abertura de concursos públicos para reduzir o déficit de pessoal e medidas efetivas para enfrentar a superlotação das unidades prisionais. "A segurança pública não pode ser mantida às custas da vida e da sanidade dos policiais, e o Estado é responsável pela saúde e pelo bem-estar não só dos custodiados, mas também dos servidores", completa Jabá.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza
Se você precisar de ajuda ou apenas de alguém para conversar, acione o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 188 ou acesse o chat no endereço cvv.org.br/chat.
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