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Você quer ser doador de órgãos? Sua família precisa saber!

Coordenador da e-DOT do Hospital Santa Marcelina afirma que conversa pode ser decisiva para transformar o desejo de doar em oportunidade de salvar uma vida

O Hospital Santa Marcelina se une às ações do Dia Mundial da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, que visam conscientizar a população sobre a importância de manifestar à família o desejo de ser doador. O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo e a data é marcada por campanhas que buscam ampliar o número de doações e reduzir gargalos que ainda dificultam o acesso de pacientes a transplantes.

O médico e coordenador da e-DOT (Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes), Carlos Almeida, explica que o principal desafio para garantir a captação do órgão para doação é a falta de informação por parte da família. Ele destaca que a legislação no Brasil é diferente dos outros países, ou seja, mesmo que a pessoa declare o desejo de doar, e deixe isso registrado de alguma forma, não há garantias legais para que sua vontade aconteça. “A decisão é sempre da família, que precisa ser informada e deve estar preparada para esse momento”, afirma o médico. 

Para ele, é importante falar sobre a morte, tema que ainda é considerado um tabu por grande parte das pessoas. Por isso, ampliar a informação é uma das formas de contribuir para que mais famílias estejam preparadas para esse momento. “Eu acho que esse é um grande empecilho também: evitar o assunto. Não é fácil, ninguém quer, mas todo mundo vai passar por isso. Se a gente souber qual é a vontade do nosso familiar e tiver esse sentimento de que a gente pode ajudar o próximo, eu acho que conseguimos sensibilizar cada vez mais pessoas”, afirma Dr. Carlos.

Como funciona

A e-DOT é formada por um grupo de profissionais de saúde responsável por organizar a identificação de potenciais doadores de órgãos e tecidos nos hospitais. Essa equipe é preparada para fazer a abordagem das famílias e garantir que esse momento seja de acolhimento e respeito.

 “A proposta é mostrar que, mesmo na dor, existe a possibilidade de ajudar outras pessoas a não passarem pelo mesmo sofrimento”, explica Dr. Carlos. Segundo ele, quando há recusa os motivos mais comuns são o desconhecimento da vontade do paciente e questões religiosas. 

Por outro lado, ele conta que nesses anos de profissão acumula lembranças de muitas histórias bonitas e inspiradoras, de pessoas que decidiram fazer a diferença na vida de outras famílias e dão seu testemunho de como o ato conforta diante da dor de perder um ente querido.

Doar é seguro

A retirada dos órgãos para a doação pode acontecer de duas formas: em pacientes falecidos ou após ser constatada a morte cerebral. No primeiro caso, é possível destinar à doação córneas e alguns tecidos. Já no segundo, o procedimento começa com a constatação de que o paciente tem perda completa e irreversível das funções do cérebro. Essa avaliação é feita pela equipe médica e não há margem para interpretações. Ela não deixa dúvidas da morte cerebral, seguindo o protocolo definido pelo Conselho Federal de Medicina e Ministério da Saúde, com uma sequência de exames e testes clínicos”, explica Dr. Carlos Almeida.

A captação dos órgãos

Depois da autorização familiar, a captação dos órgãos é realizada por uma equipe externa, responsável pela retirada e pelo encaminhamento dos órgãos de acordo com os critérios de compatibilidade e necessidade estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes. Os órgãos captados no hospital não são destinados, por questões éticas, a pacientes internados na própria instituição.

A idade, por si só, também não determina a possibilidade de doação. Segundo o médico, no caso das córneas, pacientes de até 75 anos podem ser avaliados e, em situações específicas, a avaliação pode ser realizada em pessoas de até 81 anos, dependendo das condições do paciente.

Contudo, a doação de órgãos envolvendo crianças, por exemplo, envolve desafios específicos e pode ser emocionalmente mais delicada para as famílias e para as equipes de saúde. Dr. Carlos Almeida explica que além da autorização familiar e das condições dos órgãos é preciso avaliar a existência de receptores compatíveis, considerando a idade e o tamanho dos órgãos do potencial doador.

“Cada doação é uma vitória. Tivemos pacientes adultos que conseguiram doar córneas, rins, fígado, beneficiando diversas pessoas”, lembra Dr. Almeida. Entre janeiro e agosto, segundo dados apresentados pelo médico, o Hospital Santa Marcelina registrou a captação de oito rins, dois fígados e 20 córneas.

 

Dados Brasil 

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo, coordenado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Cerca de 95% dos transplantes realizados no país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos, o Brasil é o segundo país que mais realiza transplantes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Os dados mais recentes consolidados pelo Ministério da Saúde mostram que, em 2025, o Brasil registrou 4.321 doadores efetivos de órgãos, o maior número da série apresentada entre 2018 e 2025. Foram 15.909 potenciais doadores, dos quais 27,2% foram efetivados.

No mesmo ano, foram realizados 9.938 transplantes de órgãos sólidos, além de 17.790 transplantes de córnea e 3.258 transplantes de medula óssea. Somando essas modalidades, foram 31.986 transplantes em 2025.

Apesar dos avanços, a necessidade ainda é grande. Ao final de 2025, 82.711 pessoas estavam no cadastro técnico de espera por transplantes, sendo 48.159 aguardando órgãos e 34.552 aguardando transplante de córnea. Os rins e as córneas concentram as maiores demandas.

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