IA ganha funções diferentes na locação de máquinas
Sisloc amplia projeto iniciado em 2025 e especializa sua assistente virtual ‘Isa’ para atender gestores e vendedores. A tecnologia já consulta indicadores, envia informações programadas e executa tarefas comerciais
Quanto minha locadora faturou ontem? Qual é o valor atual do meu imobilizado em equipamentos? Quanto tenho a pagar e a receber? Quais equipamentos o cliente já mantém locados? Existe alguma obra próxima de onde estou, que possa representar uma oportunidade comercial? Até há pouco tempo, responder a perguntas tão diferentes significava consultar relatórios, acessar telas do sistema, procurar cadastros ou, em alguns casos, abrir o notebook e reunir informações de fontes distintas.
Mas a Inteligência Artificial já encurta esse caminho. Depois de lançar, em 2025, a Isa, assistente virtual desenvolvida especificamente para o mercado de locação de equipamentos, a Sisloc Softwares avança na especialização da tecnologia. A solução evoluiu e hoje se desdobra em três aplicações, criadas para necessidades diferentes dentro de uma locadora: Isa Analista de Dados, Isa Avisa, e Isa Assistente de Vendas.
Além de acrescentar novas funcionalidades, a mudança mostra que a tecnologia deixa de ser uma ferramenta genérica para assumir funções específicas dentro do negócio. “Quando começamos a desenvolver a Isa, nosso objetivo era que ela entendesse o locador. Agora damos mais um passo, ao identificarmos também o que cada profissional dentro de uma locadora precisa da Inteligência Artificial”, explica Leonardo Ferreira, gerente de vendas da Sisloc Softwares.
O gestor pergunta, a Isa responde
Uma das aplicações é a Isa Analista de Dados, desenvolvida principalmente para gestores e proprietários de locadoras. Sua função é consultar informações existentes no sistema e apresentá-las de maneira mais simples e conversacional. Em vez de navegar por diferentes telas ou relatórios, o gestor pode fazer perguntas diretamente à assistente sobre determinados indicadores do negócio, como: Quanto a empresa tem em contas a pagar? E a receber? Qual foi o faturamento do mês? Quanto faturou ontem? Qual é a idade do pátio? Qual o valor do imobilizado?
Em seguida, a Isa consulta as informações disponíveis e retorna a resposta ao usuário. O detalhe importante é que ela não toma a decisão pelo gestor nem executa ações no sistema. Seu papel é diminuir a distância entre uma pergunta de gestão e a informação necessária para respondê-la.
“Existe uma quantidade enorme de informação dentro de uma locadora. Muitas vezes, o dado está disponível, mas chegar até ele exige abrir um relatório, aplicar filtros e interpretar o resultado. A Analista de Dados foi pensada para simplificar esse acesso”, explica Ferreira.
Essa talvez seja uma das mudanças mais interessantes provocadas pela IA nos sistemas empresariais. Durante décadas, o usuário precisou aprender onde a informação estava. Agora, gradualmente, é a tecnologia que começa a aprender como o usuário pergunta por ela.
E se a informação chegar antes da pergunta?
A ISA Avisa parte dos mesmos dados gerenciais, mas inverte a lógica. Enquanto a Analista de Dados é acionada pelo usuário, a ISA Avisa trabalha de maneira programada. O gestor pode definir quais informações deseja receber e em qual periodicidade. É possível solicitar, por exemplo, que todos os dias, às 8 horas, a assistente envie um resumo com faturamento, situação do pátio, contas a pagar e contas a receber.
A diferença parece pequena, mas muda a relação com a informação. Em vez de depender da iniciativa do gestor para consultar determinado indicador, o próprio sistema passa a levar até ele aquilo que foi previamente definido como relevante. “Uma é passiva: você pergunta e ela responde. A outra é ativa: você determina o que quer acompanhar e ela passa a enviar aquela informação de forma programada”, resume Ferreira.
Isso aproxima a IA de uma função que vai além da consulta. Ela passa a fazer parte da rotina de acompanhamento do negócio.
Para o vendedor, IA sai do escritório
A terceira aplicação leva essa lógica para outro ambiente: a rua. A Isa Assistente de Vendas foi desenvolvida principalmente para o vendedor externo, que frequentemente está visitando clientes, obras e prospects sem estar diante de um computador. Imagine que o profissional esteja em uma obra conversando com um cliente. Durante a negociação, precisa saber quais equipamentos aquela empresa já possui em contratos ativos.
A assistente consulta o sistema e informa os equipamentos locados. Se surgir uma nova oportunidade, o vendedor pode solicitar a criação de uma proposta comercial com os itens desejados e pedir o documento em PDF para encaminhá-lo ao cliente. Ou seja, nesse caso a IA não apenas recupera informação: ela também auxilia na execução de etapas do processo comercial.
A aplicação pode ainda utilizar a localização do profissional para identificar contas ou obras cadastradas nas proximidades, além de auxiliar no cadastramento de um potencial cliente encontrado durante uma visita de campo. “Pensamos muito no vendedor que está na rua. Ele não deveria precisar voltar para o escritório ou abrir o notebook toda vez que necessita consultar uma informação ou preparar uma proposta”, afirma Ferreira. “A ideia é colocar parte da estrutura comercial da locadora na mão desse profissional, onde quer que ele esteja”.
IA que entende o que é rental
As três aplicações possuem funções distintas, mas partem de uma mesma premissa: uma Inteligência Artificial voltada ao mercado de locação precisa compreender a linguagem e a lógica desse mercado. Patrimônio, pátio, contrato ativo, imobilizado, período de locação, proposta, equipamento disponível e faturamento fazem parte de um contexto específico.
Foi justamente essa especialização que levou a Sisloc a desenvolver a Isa em 2025 como uma iniciativa pioneira de Inteligência Artificial dedicada ao mercado brasileiro de locação de equipamentos. “Não queríamos simplesmente colocar uma IA dentro de um software, mas sim desenvolver uma tecnologia que entendesse o locador, seus termos e sua rotina”, afirma Ferreira.
A evolução da Isa aprofunda essa estratégia. Em vez de oferecer a mesma experiência para todos, a tecnologia passa a considerar que o dono da empresa, o gestor e o vendedor possuem perguntas e necessidades diferentes.
Essa progressão ‘perguntar, receber e agir’ talvez seja uma forma simples de compreender como a IA começa a sair do campo experimental para encontrar aplicações concretas dentro das empresas. Para a Sisloc, que atua há mais de três décadas no desenvolvimento de tecnologia especializada para locadoras, esse movimento também reforça uma aposta iniciada quando a Inteligência Artificial ainda dava seus primeiros passos no rental.
“Fomos pioneiros porque acreditamos desde o início que uma IA para locação precisava nascer conhecendo esse mercado. Agora o desafio é fazer com que ela conheça cada vez melhor não apenas o negócio, mas também as necessidades de quem trabalha dentro dele. Hoje a Sisloc tem um setor exclusivo de IA e investe para fornecer mais soluções aos clientes. Ainda tem muita coisa por vir”, assinala Ferreira.
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