Uma morte a cada 14 horas: rodovias federais somam 3,5 mil vítimas em sete meses
Minas Gerais lidera ranking de acidentes e de mortes; Bahia é 2ª em vítimas fatais sem estar entre os que mais acidentam
Mais de duas pessoas morrem por dia nas rodovias federais brasileiras. Entre janeiro e julho de 2026, foram 3.516 vítimas fatais e mais de 40 mil acidentes em todo o país. E o estado onde isso mais acontece é Minas Gerais, com 5.451 ocorrências e 453 mortes, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Santa Catarina, com 4.902 registros, e Paraná, com 4.594, completam o topo da lista de estados com maior número de acidentes. "O alto volume de veículos pesados circulando diariamente, somado a trechos sinuosos e serranos que exigem mais dos motoristas e dos próprios veículos, cria um cenário em que as colisões tendem a ser mais frequentes e, ao mesmo tempo, mais fatais", avalia Adalgisa Lopes, presidente da Associação Mineira das Clínicas de Trânsito (Actrans) e psicóloga especialista em Trânsito.
Na avaliação da entidade, a liderança mineira está diretamente atrelada à vasta malha rodoviária federal e à vocação econômica do estado, que funciona como ponto de convergência para o escoamento de cargas entre o Sudeste, o Centro-Oeste e o Nordeste, condição que ajuda a explicar tanto a quantidade de ocorrências quanto a gravidade delas.
Letalidade
Mas o dado que mais preocupa os especialistas não está no topo da lista de acidentes. O cruzamento dos dois levantamentos mostra que o volume de ocorrências e a letalidade não andam necessariamente juntos. O caso mais emblemático é o da Bahia: o estado não figura entre os três com mais acidentes, mas é o segundo colocado em vítimas fatais, com 361 mortes. Proporcionalmente, os acidentes nas rodovias baianas são mais graves, com maior número de vítimas fatais por ocorrência, o que sugere trechos de alta velocidade, longas distâncias entre bases de atendimento e possíveis lacunas de fiscalização.
Mas o dado que mais preocupa os especialistas não está no topo da lista de acidentes. O cruzamento dos dois levantamentos mostra que o volume de ocorrências e a letalidade não andam necessariamente juntos. O caso mais emblemático é o da Bahia: o estado não figura entre os três com mais acidentes, mas é o segundo colocado em vítimas fatais, com 361 mortes. Proporcionalmente, os acidentes nas rodovias baianas são mais graves, com maior número de vítimas fatais por ocorrência, o que sugere trechos de alta velocidade, longas distâncias entre bases de atendimento e possíveis lacunas de fiscalização.

PRF atende acidente de trânsito em rodovia federal
O padrão se repete em Pernambuco, 5º colocado em número de mortes com 219 vítimas, e no Rio de Janeiro, 6º com 197 mortos. Ambos estados bem posicionados em letalidade sem estarem no topo do ranking de acidentes. Santa Catarina faz o caminho inverso. É o segundo em número de ocorrências, mas cai para o quarto lugar em mortes, com 242, indício de um alto volume de acidentes sem vítimas fatais, coerente com o tráfego urbano denso e os congestionamentos constantes da BR-101, que geram mais colisões traseiras e saídas de pista em velocidades menores do que sinistros de alta gravidade.
O Paraná, terceiro em acidentes, mantém a mesma posição em mortes, com 338 vítimas. Para os especialistas, os dados são o reflexo do papel de corredor logístico rumo ao Porto de Paranaguá. O fluxo constante de caminhões que levam a safra agrícola para exportação, aliado ao tráfego de passageiros entre grandes polos industriais, mantém as rodovias paranaenses sob pressão permanente.
Origem dos problemas
Os dados mostram que, em todos esses estados, a infraestrutura rodoviária está sobrecarregada pelo papel que desempenham na logística de transporte brasileira. Para Carlos Luiz Souza, vice-presidente da Actrans, essa disparidade entre o número de ocorrências e o de mortes indica que reduzir acidentes não basta, é preciso atacar a gravidade deles. "São necessárias ações como fiscalização de velocidade e de excesso de carga, duplicação de trechos críticos, sinalização adequada e redução do tempo de resposta emergencial justamente nas rodovias onde cada acidente tem mais chance de terminar em morte", lista Souza.
Os dados mostram que, em todos esses estados, a infraestrutura rodoviária está sobrecarregada pelo papel que desempenham na logística de transporte brasileira. Para Carlos Luiz Souza, vice-presidente da Actrans, essa disparidade entre o número de ocorrências e o de mortes indica que reduzir acidentes não basta, é preciso atacar a gravidade deles. "São necessárias ações como fiscalização de velocidade e de excesso de carga, duplicação de trechos críticos, sinalização adequada e redução do tempo de resposta emergencial justamente nas rodovias onde cada acidente tem mais chance de terminar em morte", lista Souza.
Enquanto as medidas não chegam, o que resta ao motorista é investir na prevenção, seguindo as recomendações dos especialistas. Nas estradas onde cada acidente tem mais chance de terminar em tragédia, velocidade, descanso e cinto de segurança não são detalhes, são a diferença entre voltar para casa e virar estatística. “90% dos acidentes têm causa humana. Imprudência, estresse, ansiedade, desatenção e cansaço são condições diretamente ligadas aos acidentes. Não basta fazer a manutenção do carro e das rodovias e negligenciar o cuidado com a saúde mental dos motoristas. É preciso atacar o problema sob diversos aspectos”, resume Adalgisa.
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