Custo total: Ampliando a visão de corte de gastos em tempos de crise - Por Jefferson Kiyohara
A importância da visão do custo total das perdas para as melhores decisões sobre o corte de gastos nas organizações.
Temos testemunhado diversas empresas reduzindo ou mesmo extinguindo estruturas consideradas não estratégicas ou de menor relevância para o negócio. Não é diferente do que tem acontecido com as áreas de Prevenção de Perdas e de Segurança Patrimonial, em empresas varejistas, atacadistas e na indústria. Ou em áreas como Gestão de Riscos e Auditoria Interna nos mais diversos setores. Há a necessidade de se reduzir custos e estas áreas também tem sido chamadas para participar. É certo que num momento de restrição todos devem contribuir com os cortes, mas por outro lado, é necessário que o cenário macro seja considerado no processo decisório.
Considerando o atual cenário de crise econômica, pesquisas mostram que a tendência é de ocorrer um aumento nas perdas. Estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) publicado em 2012, tendo como base a crise financeira global de 2008-2009, mostra que em períodos de estresse econômico, o número de roubos pode duplicar. Outra pesquisa, realizada pela ACFE em 2009, traz estatísticas de aumento do número e montante de fraude observada nas organizações num período de recessão econômica.
Falando do cenário brasileiro, pesquisa da ICTS Protiviti identificou uma relação preocupante entre a incidência de fraudes e o desempenho econômico do Brasil: os casos de fraudes identificadas tem aumento significativo, que acompanha a diminuição do PIB do país. E com a expectativa da retração da economia brasileira nos próximos anos, é esperado o crescimento acentuado de fraudes nas organizações brasileiras.
Como então tomar a melhor decisão? Diversas empresas decidem por reduzir os custos com estruturas de prevenção de perdas e riscos, de auditoria e afins. Contam com resultados que não se concretizam (muitas vezes piorando o quadro anterior), e ficam na dúvida do porquê. A resposta passa por considerar qual a contrapartida, ou seja, é fundamental ter a visão do custo total com as perdas e com as estruturas e medidas preventivas.
O custo total compreende gastos com estrutura própria, terceiros e recursos, somado às perdas totais endereçadas por estes custos.
Neste artigo vamos seguir utilizando como exemplo um varejista com sua área de Prevenção de Perdas e Segurança. Com isto, teríamos:
• Estrutura própria: área interna de Prevenção de Perdas e Segurança
• Terceiros e prestadores: empresas de portaria e vigilância, de manutenção de equipamento, consultoria, etc.
• Infraestrutura: portões, catracas, alarmes, câmeras, proteção perimetral, cabeamento, etc.
• Perdas totais: perdas de produto ou valor de venda em razão de roubo, furto, dano, caducidade, fraude, entre outros
Os três primeiros itens geralmente são bem conhecidos dos executivos. O quarto item, nem sempre, e menos ainda a sua correlação com os três primeiros. E este é justamente o principal problema, dado que as variáveis estão interligadas. Isto significa que ao reduzir investimentos em prevenção e proteção, a empresa fica mais exposta às perdas, situação que pode ou não se concretizar dependendo de quão atrativo o ativo é, quais são os controles existentes e qual o contexto. O próprio impacto difere, dependendo da empresa e do setor.
Por este motivo, antes de tomar uma decisão, é desejável que o executivo avalie qual será o impacto em suas perdas totais, ao reduzir os gastos com a sua estrutura de Prevenção de Perdas e Segurança, e busque conhecer a curva “Perda total vs Gastos com Prevenção” de seu negócio. Se o impacto for menor, a decisão de corte pode ser tomada. Contudo, é possível que o aumento das perdas seja maior do que a economia com a redução ou eliminação da estrutura, principalmente considerando o atual contexto de crise.
Conhecer o custo total, as variáveis envolvidas e a curva de perda vs gasto com prevenção é fundamental para melhorar a qualidade do processo decisório. Buscando soluções além do óbvio, um executivo pode se deparar com um cenário de aumento de investimento em prevenção de perdas e segurança, e queda num montante mais significativo em suas perdas totais, reduzindo os gastos da empresa, seu objetivo inicial.
E na sua empresa, os executivos têm as informações que precisam para tomar a melhor decisão?

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