Saúde pública digital: inovação, acesso e qualidade no atendimento
*Por Diogo Catão, CEO da Dome Ventures , e Diogo Kussakawa, CMO da AgilizaMed
A saúde pública vive um momento de transformação impulsionada pela tecnologia. Da telemedicina aos prontuários eletrônicos, passando pela inteligência artificial e pelas healthtechs, a digitalização promete ampliar o acesso da população, reduzir custos e melhorar a qualidade dos serviços. No Brasil, a telemedicina já demonstra seu impacto no SUS. Segundo dados do Ministério da Saúde, desde o início de 2023 foram realizados mais de 4,6 milhões de teleatendimentos. A rede de serviços de telessaúde é apoiada pela Rede Brasileira de Telessaúde, atualmente composta por 24 Núcleos de Telessaúde, centros especializados que oferecem diversas modalidades de atendimento remoto em todo o país. Entre os serviços prestados, destacam-se o telediagnóstico em diferentes especialidades, como teleoftalmologia, teledermatologia e telecardiologia, mostrando ganhos em acesso, agilidade e qualidade do cuidado à população.
No Brasil, a digitalização ganhou força com a pandemia e vem sendo estimulada por iniciativas governamentais, avanços tecnológicos e o investimento crescente das healthtechs. Um dos aspectos mais visíveis é a telemedicina, que permite consultas, diagnósticos e acompanhamento de pacientes à distância, eliminando barreiras geográficas e levando cuidado a regiões antes desassistidas. Além da flexibilidade de horários e da economia de tempo, a modalidade é estratégica no acompanhamento de doenças crônicas não transmissíveis, possibilitando monitoramento contínuo e ajustes em tempo real, o que ajuda a prevenir complicações e otimiza recursos.
Outro pilar da digitalização é a adoção de prontuários eletrônicos, que substituem os registros em papel e oferecem uma visão unificada do histórico do paciente. Esse recurso facilita diagnósticos mais rápidos, melhora a continuidade do tratamento e reduz a duplicação de exames e procedimentos. Somado a isso, a aplicação de inteligência artificial (IA) e big data amplia a capacidade analítica dos profissionais, permitindo identificar padrões em grandes volumes de dados, apoiar decisões clínicas e aumentar a precisão dos diagnósticos e tratamentos.
O setor público brasileiro tem buscado acompanhar essa transformação. A Estratégia de Saúde Digital 2020-2028, do Ministério da Saúde, foi criada para integrar e modernizar os sistemas de informação, além de estimular a interoperabilidade dos dados. Em 2023, outro passo foi a criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), responsável por formular políticas públicas e apoiar a incorporação de tecnologias. Já o Meu SUS Digital, antes conhecido como Conecte SUS, busca unificar as informações dos cidadãos em uma única plataforma, acessível a pacientes e profissionais.
Objetivamente, esse processo de digitalização já apresenta resultados concretos: consultas a distância em áreas remotas, diagnósticos mais rápidos com auxílio da IA, economia de recursos por meio da eliminação de exames duplicados e maior continuidade no cuidado. O desafio, contudo, está em garantir infraestrutura tecnológica adequada, especialmente em regiões menos desenvolvidas, além de capacitar profissionais para utilizar novas ferramentas e assegurar a privacidade dos dados. O futuro dependerá da integração entre políticas públicas consistentes, inovação das healthtechs e investimentos em tecnologia que priorizem a inclusão e a equidade no atendimento.
*Diogo Catão é CEO da Dome Ventures, uma Venture Builder GovTech que tem o propósito de transformar o futuro das instituições públicas no Brasil– e-mail: domeventures@nbpress.com.br
*Diogo Kussakawa é CMO da AgilizaMed, startup parte do portfólio da Dome Ventures responsável por uma plataforma de teleinterconsulta que facilita a comunicação entre profissionais de saúde a fim de reduzir as filas de espera no SUS.
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