Últimas

Ministério Público Federal pode investigar Virginia por induzir bet a favor de Cabo Verde em partida na Copa

Vereador Adrilles Jorge (União Brasil-SP) acusa influenciadora de instigar seguidores a apostarem na vitória da seleção africana, que perdeu para a Argentina; parlamentar de São Paulo-SP também solicita apuração sobre possível crime contra a economia popular
O vereador de São Paulo-SP Adrilles Jorge (União Brasil-SP) protocolou uma notícia-crime no Ministério Público Federal (MPF), pedindo a abertura de investigação contra Virginia Fonseca. O parlamentar acusa a influenciadora de, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, induzir seguidores a apostarem na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina, sendo que, no jogo realizado na última sexta-feira (3/7), na primeira rodada da fase eliminatória da Copa do Mundo, os argentinos levaram a melhor por 3 a 2.
De acordo com a representação (protocolo 20260055020), horas antes da partida, Virginia, que reúne 56,7 milhões de seguidores somente no Instagram, fez um post incentivando o público a acessar a plataforma Blaze e apostar a favor da seleção africana.
Adrilles sustenta que a recomendação da influenciadora envolvia “probabilidade extremamente reduzida de sucesso”. Portanto, Virginia teria induzido milhões de seguidores a uma aposta cujo resultado positivo seria altamente improvável.
Para o vereador de São Paulo, quando uma personalidade com dezenas de milhões de seguidores incentiva um jogo on-line de risco, é dever das autoridades verificar se houve transparência, se existia conflito de interesses e se os consumidores foram devidamente informados sobre os riscos envolvidos:
“Virginia (Fonseca) tem alcance gigantesco nas redes, além de relação de confiança estabelecida com seu público. Portanto, isso influencia, sim, na decisão do público. O que ela fez horas antes do confronto entre Cabo Verde e Argentina pode caracterizar crime contra a economia popular e, portanto, requer apuração técnica, minuciosa e independente de eventuais irregularidades na divulgação de bets no Brasil. A verdade é que as pessoas estão expostas a este tipo de aposta, na ilusão de ganharem dinheiro. Ao contrário, arriscam, muitas vezes, o pouco que têm, e se enchem de dívidas”.
Cláusula da Desgraça
No documento recebido pelo MPF nessa segunda-feira (6/7), Adrilles também solicita que o órgão investigue a existência da chamada “Cláusula da Desgraça” - mecanismo que remunera influenciadores de acordo com as perdas registradas pelos apostadores indicados por seus links de divulgação.
O documento pede, ainda, que sejam analisados eventuais contratos firmados entre Virginia e a Blaze, a forma de remuneração acordada e a existência de informações omitidas aos consumidores durante a publicidade da bet.
Tramitação
Após protocolada, a notícia-crime deve ser analisada pelo MPF dentro das próximas semanas, decidindo-se, inclusive, sobre a instauração ou não de processo investigativo contra a influenciadora.

Nenhum comentário