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Antes de chegar ao Tietê, poluição cai até 56% em afluentes de Mogi e Itaquaquecetuba

Levantamento da Cetesb mostra melhora em cinco rios e córregos dos dois municípios; avanço é celebrado nesta terça-feira (22), Dia do Rio Tietê

A recuperação do Rio Tietê começa antes de a água chegar ao rio principal. Em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, cinco afluentes apresentaram redução da poluição orgânica nos últimos dois anos. A melhora chegou a 56% no Córrego Lavapés, em Mogi, e a 31% no Ribeirão Jaguari, em Itaquaquecetuba. Os avanços são acompanhados pela ampliação de ações do Governo de São Paulo para recuperação do rio, como ampliação do tratamento de esgoto e o desassoreamento.
“Esses resultados reforçam que a decisão do Governo de São Paulo de colocar o saneamento no centro da recuperação do Tietê começa a produzir efeitos concretos. A Sabesp, após sua desestatização em 2024, ampliou a coleta e o tratamento de esgoto em áreas prioritárias, enquanto a Cetesb expandiu o monitoramento para medir a resposta dos rios e córregos. Em Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba, já conseguimos enxergar essa política pública no território: menos esgoto chegando aos afluentes e, consequentemente, menos poluição seguindo em direção ao Tietê”, afirma Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. 
Os dados fazem parte de um levantamento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), que acompanha 30 rios e córregos que deságuam no Tietê na Região Metropolitana de São Paulo.
Os novos pontos de monitoramento foram definidos prioritariamente em locais onde estavam previstas obras para ampliar a coleta de esgoto. O objetivo é acompanhar o caminho da água e verificar se a redução da poluição começa nos córregos e rios dos bairros antes de chegar ao Tietê.
Queda chega a 56% em Mogi
O melhor resultado entre os 30 afluentes monitorados pela Cetesb foi registrado no Córrego Lavapés, em Mogi das Cruzes.
A concentração de matéria orgânica passou de 29 mg/L, em 2024, para uma média de 13 mg/L entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026 — uma melhora de 56%.
No Ribeirão Ipiranga, também em Mogi, o indicador passou de 15 mg/L para 14 mg/L, diferença de 6%.
Três afluentes melhoram em Itaquaquecetuba
Em Itaquaquecetuba, a concentração de matéria orgânica caiu nos três afluentes avaliados:
• No Ribeirão Jaguari, passou de 50 mg/L para 34 mg/L, uma melhora de 31%;
• No Ribeirão Três Pontes, foi de 30 mg/L para 21 mg/L, diferença de 29%;
• No Ribeirão Perová, passou de 26 mg/L para 22 mg/L, melhora de 14%.
Para fazer essa análise, a Cetesb mede o Carbono Orgânico Total, conhecido pela sigla COT. Em termos simples, o indicador mostra a quantidade de matéria orgânica presente na água e ajuda a acompanhar a poluição associada, principalmente, ao lançamento de esgoto. Quanto menor a concentração, melhor é o resultado. A comparação considera os dados de 2024 e a média das medições realizadas nos dois últimos trimestres de 2025 e nos dois primeiros de 2026.
Por que o tamanho de cada afluente importa?
Além de observar cada córrego ou rio separadamente, a Cetesb calcula o resultado do conjunto dos 30 afluentes. Nesse cálculo, o tamanho da área de drenagem de cada um também é levado em consideração.
A área de drenagem é todo o território que envia água para um mesmo rio ou córrego. Ela pode incluir bairros, ruas, terrenos e cursos d’água menores. Quando chove, por exemplo, a água que escoa por toda essa região segue, direta ou indiretamente, para aquele afluente.
Quanto maior essa área, maior tende a ser o volume de água transportado. Por isso, um afluente que recebe a água de vários bairros exerce influência maior sobre o Tietê do que um córrego que drena um território pequeno. Na média calculada pela Cetesb, eles não podem ter o mesmo peso.
Entre os cinco afluentes avaliados em Mogi e Itaquaquecetuba, o Ribeirão Perová tem a maior área de drenagem, com 32,7 km². Depois aparecem o Ribeirão Jaguari, com 17 km²; o Ribeirão Três Pontes, com 8,8 km²; o Ribeirão Ipiranga, com 4,7 km²; e o Córrego Lavapés, com 3 km².
Assim, embora o Lavapés tenha registrado a maior melhora individual, de 56%, avanços em rios como o Perová e o Jaguari têm peso maior no resultado do conjunto, porque eles drenam áreas mais extensas e transportam um volume maior de água.
Poluição cai 23% no conjunto dos afluentes
Considerando o peso de cada área de drenagem, a concentração média de matéria orgânica nos 30 afluentes do Tietê acompanhados pela Cetesb caiu de 26 mg/L, em 2024, para 23,7 mg/L em 2025 e chegou a 20,1 mg/L em 2026. A melhora acumulada foi de 23% em dois anos.
Do total, 13 apresentaram redução na concentração de matéria orgânica. O resultado de 2026 também ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L estabelecida pelo Programa IntegraTietê para o ano.
A melhora já aparece no próprio Tietê. Na saída da Grande São Paulo, a quantidade de matéria orgânica transportada pelo rio passou de 218 para 154 toneladas por dia entre 2024 e 2026. São 64 toneladas a menos diariamente, uma redução de aproximadamente 29%.
Monitoramento passou de 11 para 30 afluentes
A Cetesb quase triplicou o número de afluentes monitorados na Região Metropolitana. Em 2023, eram 11. Desde 2024, são 30.
A ampliação foi direcionada principalmente às áreas com intervenções previstas para aumentar a coleta de esgoto. Com mais pontos, a Companhia consegue verificar como os rios e córregos respondem às obras de saneamento, onde a melhora já começou a aparecer e quais regiões ainda precisam avançar.
“Ampliamos o monitoramento para acompanhar os efeitos das obras desde os córregos e rios que atravessam os municípios. Essa rede mostra onde os investimentos já trazem resultados e ajuda a direcionar as ações para os pontos que ainda exigem atenção”, afirma o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo.
IntegraTietê reúne mais de R$ 22 bilhões em investimentos
O monitoramento dos afluentes integra o IntegraTietê, programa lançado pelo Governo de São Paulo em 2023. A iniciativa reúne ações de curto, médio e longo prazo em saneamento, desassoreamento, fiscalização ambiental, monitoramento da qualidade da água, recuperação ambiental e requalificação das margens. Os investimentos nas diferentes frentes já ultrapassam R$ 22 bilhões.
Uma das principais frentes é a ampliação do saneamento. Desde o início do programa, mais de 1,5 milhão de domicílios foram conectados à rede de esgoto, beneficiando cerca de 4,5 milhões de pessoas.
As ações também avançam dentro dos rios. Desde 2023, foram retirados mais de 6,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos, o equivalente a 90% da meta de 7,2 milhões de metros cúbicos prevista até o fim de 2026. Os investimentos em desassoreamento, realizados por meio da SP Águas, vinculada à Semil, ultrapassam R$ 1,4 bilhão.
Somente em 2025, mais de 2,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos foram removidos dos rios Tietê e Pinheiros.
Outra frente é a retirada de lixo flutuante. No Rio Pinheiros, 147 mil toneladas de resíduos foram removidas desde 2023, com investimentos superiores a R$ 228,2 milhões.

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