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Dividir procedimentos pode fazer parte de uma cirurgia mais segura 

Número de intervenções e duração da operação entram na conta quando o objetivo é preservar a recuperação sem comprometer o planejamento estético

A decisão de realizar diferentes procedimentos estéticos em uma única cirurgia ou dividi-los em etapas deve ser tomada ainda no planejamento pré-operatório, a partir da condição clínica do paciente, das regiões que serão tratadas, do tempo estimado de operação e da recuperação esperada. A escolha busca equilibrar o resultado pretendido com o impacto que uma intervenção mais extensa pode provocar no organismo e na rotina durante o pós-operatório.

Alexandre Peruzzo, formado em Medicina e especialista em Cirurgia Plástica, é proprietário da Clínica Alexandre Peruzzo, centro de saúde de alto padrão dedicado à cirurgia plástica, ao contorno corporal minimamente invasivo, à medicina estética e à longevidade, afirma que o planejamento não deve partir da quantidade de procedimentos tecnicamente possíveis em um mesmo dia. “A pergunta não deve ser quanto conseguimos fazer de uma vez, mas o que realmente precisa ser tratado naquele momento e como essa escolha interfere na recuperação. Há situações em que associar procedimentos é adequado e outras em que dividir o tratamento faz mais sentido”, afirma o cirurgião plástico.

Quando dividir o tratamento pode fazer sentido

Realizar mais de um procedimento na mesma operação pode reduzir o número de internações e concentrar parte do período de recuperação. A vantagem prática, porém, precisa ser analisada junto a fatores como extensão das áreas tratadas, complexidade das técnicas, duração prevista da cirurgia e condições de saúde de cada pessoa.

Um estudo publicado em 2026 na revista Aesthetic Plastic Surgery analisou 1.182 pacientes submetidos a cirurgias de contorno corporal após grande perda de peso. A taxa de complicações foi de 3,6% entre aqueles que realizaram um procedimento e de 5,1% no grupo submetido a dois. Entre os pacientes que passaram por três ou quatro intervenções combinadas, os índices chegaram a 20,2% e 22,4%, respectivamente.

Os números precisam ser interpretados dentro do perfil analisado. A pesquisa envolveu exclusivamente pacientes que haviam apresentado perda expressiva de peso e, portanto, os resultados não podem ser aplicados automaticamente a qualquer pessoa que procure uma cirurgia estética. O próprio estudo concluiu que a combinação de dois procedimentos apresentou resultados considerados seguros quando houve seleção criteriosa dos participantes.

“Nem fazer tudo junto nem separar cada procedimento deve virar regra. Em alguns casos, a associação é adequada e evita diferentes períodos de recuperação. Em outros, uma operação de menor extensão pode ser mais coerente com as condições daquele paciente”, ressalta Peruzzo.

Fazer menos por vez não significa buscar um resultado menor

A cirurgia por etapas pode ser indicada quando diferentes regiões fazem parte de um mesmo planejamento, mas não precisam necessariamente ser abordadas no mesmo momento. Nesses casos, a divisão não representa redução do objetivo estético, e sim uma mudança na forma de chegar até ele.

Para o médico, um planejamento bem definido permite estabelecer prioridades e avaliar quais intervenções podem ser realizadas em conjunto sem transformar a quantidade de procedimentos em objetivo por si só.

“Fazer menos por vez não significa entregar menos. Se dividir o tratamento permite reduzir a extensão da cirurgia sem comprometer o que foi planejado, essa possibilidade precisa ser considerada. O resultado não depende de quantas regiões foram operadas no mesmo dia”, aponta.

A mesma lógica está presente na defesa de Peruzzo por técnicas minimamente invasivas sempre que houver indicação adequada. Segundo o médico, reduzir o impacto fisiológico da intervenção e preservar, tanto quanto possível, a rotina, o metabolismo, a massa muscular e os hábitos de vida do paciente também devem entrar na avaliação do tratamento. Essa abordagem integra o posicionamento profissional que ele desenvolveu ao longo da carreira.

“Ser minimamente invasivo não significa apenas fazer uma incisão menor. Significa pensar no impacto que todo o tratamento terá sobre o organismo e procurar preservar a saúde e a capacidade de recuperação do paciente sempre que isso for possível”, afirma Peruzzo.

Recuperação também faz parte do planejamento

Uma cirurgia não termina quando o paciente deixa o centro cirúrgico. Mobilidade, alimentação, acompanhamento médico, retorno ao trabalho e retomada gradual das atividades físicas também interferem no período posterior ao procedimento.

Por isso, concentrar diferentes intervenções apenas para reduzir o número de operações pode não ser a melhor decisão em todos os casos. O benefício de uma única recuperação precisa ser comparado às exigências que uma operação mais extensa pode impor.

“A cirurgia precisa ser compatível com a saúde e com a capacidade de recuperação daquela pessoa. Preservar a rotina e favorecer uma retomada progressiva das atividades também fazem parte do tratamento”, destaca Peruzzo.

A literatura médica não estabelece um número único de procedimentos que possa ser considerado adequado para todos os pacientes. A decisão depende da combinação entre extensão da cirurgia, condições clínicas, duração prevista e características individuais. Para quem pretende tratar diferentes regiões, a discussão sobre fazer tudo de uma vez ou dividir o planejamento deve acontecer antes da operação e fazer parte da avaliação médica, assim como o resultado estético pretendido.

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