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Candidatos denunciam problemas em TAF do concurso da Polícia Penal

detCandidatos detalham problemas que vão do descumprimento do edital até a submissão de candidatos a pistas enlameadas, buracos e equipamentos precariamente instalados

O Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso público para o cargo de Policial Penal do Estado de São Paulo, realizado na primeira semana de setembro e organizado pelo Instituto AOCP, transformou-se no centro de uma série de denúncias que apontam graves problemas na aplicação da prova. Os relatos enviados por candidatos ao Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) detalham problemas que vão do descumprimento da ordem dos exercícios prevista no edital até a submissão de candidatos a pistas enlameadas, buracos e equipamentos precariamente instalados.
Uma das irregularidades relatadas é a alteração da ordem dos exercícios. O edital previa expressamente que o tiro de 50 metros seria o terceiro exercício da sequência. No dia da prova, em diversos locais, ele foi alocado para ser o primeiro. Quem não atingiu o índice necessário no tiro foi eliminado logo no início, sem ter a chance de realizar as demais etapas. Além disso, um grupo de candidatos realizou a prova sob forte chuva. A pista, encharcada, tornou-se tão escorregadia que provocou quedas e lesões, incluindo o deslocamento de ombro de um dos candidatos. Como se não bastasse essa diferença de condições para a realização da prova, em algumas cidades a cronometragem do tiro de 50 metros, foi realizada de forma manual, sem o uso de painéis digitais auditáveis. Em uma prova decidida por milésimos de segundo, a ausência de transparência prejudicou os concorrentes.
Em Campinas, no dia 6 de setembro, nas dependências da Faculdade de Educação Física da Unicamp (FEF/Unicamp), candidatos depararam-se com condições materiais e estruturais precárias no exercício de barra fixa. O equipamento não contava com fixação técnica adequada: foi cravado diretamente no solo de terra batida, sem fundação firme ou base de concreto. Em decorrência disso, a estrutura apresentava forte instabilidade, balançando excessivamente durante a execução dos movimentos. “Os próprios fiscais enfrentaram dificuldade para conter a oscilação, tendo que se posicionar nas laterais da estrutura para segurar a barra. Houve momentos em que os próprios agentes da banca penavam para manter o aparelho minimamente firme diante da força exercida pelos candidatos”, diz denúncia enviada ao Sindicato. Essa instabilidade descontrolada comprometeu severamente a execução correta, a simetria e a rigidez corporal exigidas no exercício, resultando na invalidação injusta de repetições e prejudicando de forma direta o desempenho dos candidatos.
Em Presidente Prudente, candidatos afirmaram que a pista onde foi disputada a prova de 50 metros apresentava declive, buraco no meio e uma lombada no final da corrida; com o tempo chuviscando, candidatos reduziram a velocidade por medo de cair. Na barra fixa, o denunciante relatou que concorrentes usavam as pernas para dar impulso e eram validados, enquanto ele foi avaliado por um fiscal que não sabia observar o exercício e o reprovou alegando não ter contado duas repetições. Na corrida de 12 minutos, o teste ocorreu dentro de um ginásio em piso escorregadio, provocando quedas e lesões. A cronometragem do tiro foi manual, com divergência entre os dois cronômetros: o fiscal na chegada gritou 7,67 segundos, mas a mesa registrou 7,50. O candidato denunciou ainda que, mesmo declarado inapto na barra, foi obrigado a continuar os demais exercícios, descumprindo a ordem do edital. "Muitos foram prejudicados e não houve isonomia para todo mundo. Enquanto muitos fizeram em pista de atletismo o tiro e a corrida, nós em Presidente Prudente fizemos em piso escorregadio, com buracos e com lama, afetando nossos desempenhos com avaliadores despreparados", afirmou o denunciante.
Em São José do Rio Preto, o TAF foi realizado um dia antes do período previsto no edital e, segundo denúncia, todo o procedimento para realização do teste ocorreu de forma desorganizada. Lá também a ordem dos exercícios foi diferente do previsto em edital. Ao pedir para verificar o aparelho de medição do tempo da prova dos 50 metros, o candidato apenas recebeu um papel com o tempo anotado. "Fica evidente a falta de padronização na aplicação do TAF entre as diferentes localidades. Candidatos submetidos ao mesmo processo seletivo foram avaliados sob condições diferentes, o que pode ter beneficiado alguns e prejudicado outros", afirmou.
Em Bauru, o TAF foi realizado na Unesp e um candidato relatou que a pista apresentava buracos, lama, matos e irregularidades. No entendimento dos denunciantes, esses fatores configuram cerceamento de direito, desrespeito às normas do edital e quebra da isonomia exigida em concurso público. As denúncias apontam um padrão de baixo profissionalismo que coloca em risco a credibilidade de todo o certame. 
Diante das denúncias, o Sinppenal encaminhou ofício ao Diretor Geral da Polícia Penal (DGPP) solicitando a instauração de sindicância ou procedimento administrativo para apurar com urgência e transparência todas as denúncias. O sindicato pede ainda a determinação para que a banca organizadora adote medidas imediatas para sanar as falhas, garantindo a reaplicação de etapas se constatado prejuízo generalizado, e a padronização dos critérios de avaliação e dos equipamentos. Requer também a garantia de amplo acesso aos vídeos e registros das provas para que os candidatos possam exercer seu direito de recurso de forma efetiva, e a publicidade integral dos resultados e dos critérios de correção de cada exercício. 
Reclamações em série
O que mais chama a atenção, segundo o sindicato, é que em nenhum concurso anterior da Secretaria de Administração Penitenciária registros de falhas dessa natureza haviam chegado à entidade. A entrada do Instituto AOCP como banca organizadora, porém, aparentemente trouxe consigo um histórico de problemas que se acumula sem solução à vista.
Antes mesmo do TAF, o processo seletivo já acumulava reclamações. A prova objetiva, aplicada em fevereiro, foi alvo de questionamentos por erros em questões que cobravam conteúdos sem previsão no edital. Depois veio o atraso na divulgação do cartão de informação do TAF, que gerou mobilização dos candidatos e exigiu cobrança pública para que a banca liberasse local, data e horário da prova física. Agora, a execução do próprio teste repete a cena de desorganização e descumprimento das regras.

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