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Empresas aceleram seus investimentos em adaptação climática, mas apenas 15% quantificaram totalmente o impacto financeiro dos riscos relacionados ao clima

  • Quase sete em cada dez executivos priorizam a adaptação climática para impulsionar a resiliência dos negócios

  • A parcela de organizações que registraram atraso nas metas de net zero subiu para 11% em 2026, acima dos 1% em 2025

  • O acesso a recursos críticos tornou-se um fator mais forte em decisões de sustentabilidade do que as metas de redução de emissões para mais de sete em cada dez organizações



As disrupções climáticas, o estresse hídrico, a escassez de recursos e a volatilidade geopolítica têm aumentado a pressão sobre as operações corporativas, as cadeias de suprimentos e o crescimento dos negócios. Segundo a quinta edição do relatório “Um Mundo em Equilíbrio: A redefinição da resiliência” do Instituto de Pesquisa da Capgemini (CRI na sigla em inglês), as organizações têm reagido ao priorizar a adaptação climática e a resiliência dos negócios¹. Além disso, quase dois terços das organizações afirmam utilizar Inteligência Artificial (IA) para avançar em suas agendas de sustentabilidade. Contudo, a pesquisa também revela um descompasso crescente entre a ambição e a execução, à medida que mais organizações registram atrasos em seus compromissos de net zero (emissões líquidas zero) e enfrentam desafios para mensurar os impactos relacionados ao clima e à IA.


As estratégias de sustentabilidade focam cada vez mais em resiliência, continuidade dos negócios e acesso a recursos críticos

Quase nove em cada dez organizações relatam que eventos climáticos causaram disrupções em suas cadeias de suprimentos. Em resposta, 68% dos executivos afirmam que suas organizações priorizam ativamente a adaptação climática, um aumento em relação aos 56% registrados em 2025. A percepção dos líderes empresariais sobre a sustentabilidade tem evoluído além dos relatórios e da conformidade normativa para ser cada vez mais analisada sob a perspectiva de resultados de negócios mensuráveis, resiliência, continuidade e acesso a recursos críticos. Quase dois terços dos executivos apontam a segurança energética e os recursos críticos como fatores determinantes para investimentos em sustentabilidade. Mais de sete em cada dez afirmam que garantir o acesso a recursos críticos – que incluem energia, água e materiais – exerce atualmente maior influência na tomada de decisões sobre sustentabilidade do que as metas de redução de emissões.


Essa transição também remodela as prioridades estratégicas das organizações, com mais de três quartos dos executivos declarando que suas empresas têm acelerado os esforços para integrar a resiliência energética e de recursos às estratégias de negócios e sustentabilidade. Paralelamente à segurança energética, os riscos hídricos são uma preocupação crescente — 61% dos executivos acreditam que a escassez de água representará um desafio maior ao crescimento dos negócios do que a disponibilidade de energia nos próximos cinco anos.


Embora a conscientização sobre esses riscos esteja crescendo, a prontidão operacional permanece inconsistente. Apenas 15% das organizações quantificaram totalmente o impacto financeiro de disrupções climáticas, e pouco mais de um em cada quatro executivos afirma que sua empresa avaliou os riscos climáticos em toda a sua cadeia de valor estendida ou implementou ferramentas ou plataformas de análise de riscos climáticos. Contudo, há sinais de amadurecimento das capacidades de adaptação – a proporção de executivos que declaram que suas organizações estão despreparadas para os impactos climáticos caiu de 54%, em 2025 para 44%, em 2026.


"As disrupções causadas pelas mudanças climáticas se tornaram o nosso novo normal, porém ainda existe uma grande lacuna entre a conscientização dos líderes empresariais sobre os riscos e a implementação efetiva. Para proteger suas cadeias de suprimentos, operações, infraestrutura e o acesso à energia, água e materiais essenciais, eles não podem mais adiar a ação climática", afirmou Cyril Garcia, Líder Global de Serviços de Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa e Membro do Conselho Executivo do Grupo na Capgemini. "É animador ver as organizações priorizarem a adaptação e a resiliência em prol de um crescimento sustentável. No entanto, à medida que os riscos climáticos e políticos evoluem, as organizações precisam continuar integrando a sustentabilidade em suas estratégias centrais de negócios e nas operações do dia a dia."


Investimentos em sustentabilidade continuam demonstrando um ROI positivo

Quase sete em cada dez organizações afirmam que suas iniciativas de sustentabilidade geraram um retorno sobre o investimento (ROI na sigla em inglês) líquido positivo. Quase dois terços dos executivos (64%) dizem que os investimentos em sustentabilidade impulsionaram as vendas, acima dos 47% registrados em 2025, e 74% reconhecem que as práticas sustentáveis ​​fortaleceram o valor da marca.


Olhando para o futuro, 83% afirmam que suas organizações aumentarão os investimentos em adaptação climática nos próximos 12 a 18 meses, o que reflete uma tendência já visível hoje: no ano passado, as organizações aplicaram 1,04% de sua receita em iniciativas de sustentabilidade no último ano, o que superou os 0,8% inicialmente alocados. Esse investimento também auxilia as organizações a gerenciar disrupções nos negócios, uma vez que cerca de dois terços dos executivos dos setores de manufatura ou intensivos em ativos (asset-intensive) relatam que esses investimentos melhoraram a eficiência operacional em meio a restrições de abastecimento, enquanto pouco mais da metade afirma ter aprimorado sua capacidade de antecipar e responder a disrupções nas operações e na cadeia de suprimentos.


Empresas enfrentam dificuldades para cumprir seus compromissos de net zero

Embora a maioria das organizações possua metas de sustentabilidade, a pesquisa sugere que a implementação permanece desafiadora. Em 2026, 84% das organizações afirmam ter estabelecido metas baseadas na ciência, um aumento de três pontos percentuais em relação a 2025. No entanto, apenas 42% dizem estar no caminho certo para cumprir suas metas intermediárias ou para 2030. O descompasso na execução é particularmente visível nos programas de net zero. O número de organizações com atraso no cumprimento de suas metas de net zero aumentou mais de dez vezes desde o ano passado. Além disso, 29% afirmam ter adiado seus objetivos de net zero, em comparação com apenas 8% no ano anterior.


Quase dois terços das organizações reconhecem que alinhar os esforços de sustentabilidade a metas baseadas na ciência é um desafio. A disponibilidade de dados, a mensuração e a visibilidade da cadeia de valor ainda são desafios. A proporção de organizações capazes de mensurar e coletar dados referentes a todas as emissões de Escopo 3 caiu para 34%, abaixo dos 54% em 2025, o que evidencia a dificuldade de rastrear e gerenciar emissões além das operações diretas.


A IA apoia iniciativas de sustentabilidade, mas o impacto ambiental ainda é difícil de medir

A IA também é cada vez mais considerada como uma ferramenta para apoiar a transformação das ambições de sustentabilidade em ações. Quase dois terços das organizações utilizam a IA para avançar em suas agendas de sustentabilidade, e mais de um terço utiliza ou planeja utilizar IA Agêntica em iniciativas voltadas para a sustentabilidade. Ao mesmo tempo, as implicações ambientais da IA têm sido cada vez mais reconhecidas pela alta liderança. Sete em cada dez organizações relatam que as implicações de sustentabilidade da IA são discutidas no conselho administrativo.


No entanto, a supervisão e a transparência sobre a tecnologia permanecem limitadas. Quase metade dos executivos afirma que a IA aumentou significativamente as emissões de gases de efeito estufa. Contudo, a preocupação com o impacto ambiental da IA ​​parece avançar em ritmo mais rápido do que a capacidade das organizações de mensurá-lo: pouco mais de um terço dos executivos diz que sua organização mede o consumo de energia dos sistemas e cargas de trabalho da IA, bem como a pegada de carbono associada.


Para acessar o relatório completo: https://www.capgemini.com/insights/research-library/sustainability-trends-2026/



Metodologia do relatório

O CRI realizou uma pesquisa com 2.100 executivos de 701 organizações – cada uma com receita anual superior a US$1 bilhão, em 13 países da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico, abrangendo 12 indústrias e setores. Os entrevistados representam os seguintes segmentos: aeroespacial e defesa, agricultura e silvicultura, automotivo, produtos de consumo, energia, serviços financeiros, saúde e ciências da vida, manufatura industrial, varejo, telecomunicações, utilities e setor público/governo. A pesquisa foi realizada entre junho e julho de 2026. O estudo também inclui uma pesquisa global com 6.500 consumidores e entrevistas com 15 executivos de organizações líderes.


Sobre a Capgemini

A Capgemini é uma parceira global de transformação de negócios e tecnologia impulsionada por Inteligência Artificial, que gera valor tangível no mercado. Imaginamos o futuro das organizações e o tornamos realidade por meio de IA, tecnologia e pessoas. Com nossa sólida trajetória de quase 60 anos, somos um grupo responsável e diverso com 420 mil profissionais, em mais de 50 países. Oferecemos serviços e soluções de ponta a ponta que contam com nossa profunda expertise setorial e um robusto ecossistema de parceiros, elevando nossas capacidades em estratégia, tecnologia, design, engenharia e operações de negócios. O Grupo reportou em 2025 receitas globais de 22,5 bilhões de euros.


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Sobre o Instituto de Pesquisa da Capgemini

O Instituto de Pesquisa Capgemini (CRI) é o think-tank interno da Capgemini dedicado a todos os temas do universo digital. O Instituto publica pesquisas sobre o impacto das tecnologias digitais em grandes empresas tradicionais. A equipe conta com a rede global de especialistas da Capgemini e trabalha em estreita colaboração com parceiros acadêmicos e tecnológicos. O Instituto possui centros de pesquisa dedicados na Índia, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos. Foi classificado em primeiro lugar mundialmente pela qualidade de suas pesquisas por analistas independentes por seis vezes consecutivas – um feito inédito no setor.


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