O que os super-ricos estão buscando quando vão comprar um imóvel
Esqueça metragem, localização e acabamento. A conexão emocional e as experiências personalizadas são o que passaram a influenciar a decisão de compra dos ultrarricos brasileiros.
O que leva uma pessoa a pagar milhões — ou até dezenas de
milhões — por um imóvel quando já tem acesso às melhores residências do mundo?
A resposta pode estar menos na metragem, na quantidade de suítes ou na vista
privilegiada e mais em algo difícil de colocar na planta: a sensação de
pertencimento.
Com as mudanças no mercado imobiliário voltado aos super ricos, a pergunta,
portanto, deixou de ser apenas “quanto custa?” É aí que entra o “x” da questão:
como vender, de fato, para alguém que pode escolher praticamente qualquer
imóvel?
“A resposta é simples e está em oferecer mais do que uma
apresentação de powerpoint. O cliente
ultrarrico quer sentir o
universo associado ao empreendimento antes de decidir fazer parte dele”, afirma
Brayann Germano, CEO da Felicità Imóveis e que comanda um batalhão de
corretores especializados em imóveis de alto padrão e luxo em Balneário
Camboriú (SC) e na Praia Brava — alguns dos endereços mais cobiçados da classe
“triple A”.
Segundo ele, para vender a um super rico, não basta
apresentar plantas, maquetes ou fazer uma visita guiada. É preciso conhecer as
histórias das pessoas. Com isso, a negociação deixa de ser uma sequência de
argumentos técnicos e passa a ser uma tradução do produto para a história do
cliente.
Um exemplo é o Senna Tower, megaempreendimento lançado pela
FG Empreendimentos e que as unidades de entrada partem dos R$ 30 milhões. A
estratégia de não se basear apenas na apresentação do projeto, mas de
proporcionar aos potenciais compradores uma imersão nos princípios conceituais
do empreendimento, foi o mote para uma ação conjunta entre a FG e a Felicità:
levar alguns prospects para um fim de semana no camarote da família Senna,
durante o Grande Prêmio do Brasil, realizado em Interlagos, em 2025.
“Apostar no relacionamento, criar uma conexão emocional com o
cliente e oferecer experiências aspiracionais podem ser o segredo para
conquistar um possível comprador”, analisa Brayann. Entretanto, ele conta que
além da ida ao autódromo, é possível fazer sobrevôos de helicóptero e passeios
de lancha. “A ideia é justamente mostrar novas perspectivas, como a visão do
Senna Tower, por exemplo, visto do mar”, acrescenta.
No entanto, o que pesa é a coerência entre a experiência
oferecida e aquilo que o comprador valoriza. “O objetivo é construir uma
conexão emocional verdadeira. A experiência precisa fazer sentido para a
história e para os desejos de cada cliente”, diz.
No topo do mercado imobiliário, a disputa não acontece apenas
pelo melhor endereço. Acontece pela capacidade de criar significado.
“Para esse público, a próxima casa pode ser muito mais do que
uma propriedade. Pode ser um símbolo de conquista, um espaço de convivência, um
refúgio — ou o cenário de uma história que ainda está começando”, conclui
Brayann Germano.
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