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Projetos socioambientais em Minas Gerais vão receber aportes de R$ 100 mil da Coca-Cola FEMSA Brasil

Instituto Cristiano Maia e Associação Ambiental Rota MG30 são vencedores do edital Ideias para um Mundo Melhor 2026 e vão participar de programa de aceleração até fevereiro de 2027

Dois projetos socioambientais do entorno da fábrica da Coca-Cola FEMSA Brasil em Itabirito (MG) foram selecionados na edição 2026 do edital "Ideias para um Mundo Melhor", promovido pela empresa. O Instituto Cristiano Maia, com o projeto TerraCor – Moldando a Própria História, e a Associação Ambiental Rota MG30, responsável pela Brigada Florestal Rota MG30, com o projeto Proteção e Educação Ambiental para a Proteção Florestal, receberão R$ 50 mil cada para colocar as iniciativas em prática.

Além do aporte, as duas organizações participam de um Programa de Aceleração de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) conduzido pelo Instituto Ekloos. Iniciada em 13 de agosto, a jornada segue até 2 de fevereiro de 2027, com foco no fortalecimento da gestão e na preparação das instituições para ampliar e dar sustentabilidade ao impacto socioambiental gerado nos territórios.

Fabiana Taislam, gerente de ESG e Comunicação Externa da Coca-Cola FEMSA Brasil, aponta que o objetivo do edital é apoiar iniciativas direcionadas às demandas e potencialidades das comunidades. "Além do aporte financeiro, queremos contribuir para o fortalecimento institucional dessas organizações, ampliando sua capacidade de gerar impacto de forma estruturada e sustentável. Por isso, o programa combina recursos para a execução dos projetos com uma jornada de aceleração voltada à gestão, ao planejamento e à continuidade das iniciativas", explica.

Os projetos selecionados atuam em frentes distintas. Enquanto o TerraCor vai utilizar arte, educação ambiental e elementos do bairro Água Limpa (na divisa dos municípios de Nova Lima e Itabirito) no trabalho com jovens, a Associação Ambiental Rota MG30 vai direcionar os recursos para ações de prevenção a incêndios florestais, educação ambiental e preservação da biodiversidade em Nova Lima.

Terra vermelha se transforma em arte e educação
Desenvolvido pelo Instituto Cristiano Maia, o TerraCor – Moldando a Própria História parte de um elemento presente no cotidiano de Água Limpa: a terra vermelha. A proposta é ressignificar o material, transformando-o em matéria-prima para experiências de criação artística e educação ambiental e, ao mesmo tempo, estimular crianças e adolescentes a refletirem sobre a história, a identidade e as transformações do lugar onde vivem.

O projeto terá duração de dez meses e atenderá diretamente 80 jovens, divididos em quatro turmas de 20 participantes. Serão realizados dois encontros semanais de 1h30min por turma, com atividades que combinam pesquisa sobre o território, arte-educação e produção artística.

Entre as ações previstas estão rodas de conversa sobre a memória de Água Limpa, preparação da terra vermelha para utilização como pigmento natural, oficinas de pintura e modelagem em barro e argila, produção de maquetes, atividades sobre biodiversidade e sustentabilidade e uma exposição final aberta às famílias e à comunidade.

Cristiano Maia, presidente do Instituto, afirma que a participação no edital e no processo de aceleração é uma oportunidade de fortalecer uma trajetória que começou há cerca de dez anos com atividades esportivas para jovens e que, ao longo dos anos, ampliou sua atuação para as áreas social e cultural. "Nossa expectativa é consolidar uma instituição mais madura, inovadora e preparada para ampliar seu impacto social, fortalecendo nossa capacidade de captar recursos, estabelecer novas parcerias e garantir que cada vez mais crianças e adolescentes tenham acesso a oportunidades de desenvolvimento", conta Maia.

O crescimento da organização, segundo ele, também mostrou que a transformação social precisa ser acompanhada pelo fortalecimento da própria instituição. O programa será uma oportunidade de aperfeiçoar processos internos, governança, planejamento, sustentabilidade financeira e comunicação, além de promover a troca de experiências com especialistas e outras organizações sociais.

Educação e prevenção de incêndios florestais
A Associação Ambiental Rota MG30 vai utilizar os recursos do edital para fortalecer o trabalho desenvolvido pela Brigada Florestal Rota MG30 em Nova Lima. O projeto contempla ações preventivas, educação ambiental e iniciativas de preservação, incluindo a manutenção do Bosque Escola Morro do Pires, o fortalecimento de um viveiro de espécies nativas da Mata Atlântica e a ampliação das rondas durante o período de maior risco de incêndios.

De acordo com Fábio Britto, presidente da Associação Ambiental Rota MG30 e coordenador da Brigada Florestal Rota MG30, uma das dificuldades enfrentadas no município é a proximidade entre áreas urbanas e vegetação, característica que aumenta os riscos quando queimadas irregulares saem de controle. O apoio permitirá ampliar as rondas e fortalecer o trabalho de conscientização desenvolvido pela organização. "A sociedade, muitas vezes, só enxerga os brigadistas quando existem os incêndios, mas uma brigada florestal trabalha principalmente na prevenção, com educação ambiental, treinamentos e ações junto às comunidades. Acreditamos que a prevenção é a melhor arma que se tem", destaca Britto.

Atualmente, a Brigada realiza entre 100 e 150 rondas durante o período de incêndios florestais, número que poderá ser ampliado com o fortalecimento da estrutura. O projeto também dará continuidade à produção de mudas nativas da Mata Atlântica, que poderão ser utilizadas na recuperação de áreas degradadas, em ações com escolas e nas atividades de educação ambiental promovidas pela associação.

Outro eixo será o trabalho com estudantes. Por meio da exposição "Cultivando o Futuro", a organização apresenta temas, como abelhas nativas, sementes e espécies da Mata Atlântica e do Cerrado, além de informações sobre incêndios florestais e os riscos provocados pelo fogo para o meio ambiente e para a população. A meta é alcançar 4 mil alunos. Também estão previstas atividades de turismo pedagógico no Bosque Escola Morro do Pires.

A Associação já capacitou mais de 100 pessoas em treinamentos de brigadistas, com a participação de moradores, trabalhadores de condomínios, parceiros e interessados na prevenção aos incêndios florestais.

A presença no Programa de Aceleração, na avaliação de Britto, também permitirá avaliar a evolução da instituição e identificar oportunidades para aperfeiçoar sua atuação. "A aceleração vai nos ajudar a analisar nossa evolução, entender o que podemos ampliar, melhorar ou mudar. Será de extrema importância para a evolução da associação e da própria comunidade", afirma.

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