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Em meio à pandemia, colégio público de 150 anos no Sergipe desenvolve revolução digital, reproduz modelo da ONU e é destaque no Enem 2020

Escola de Ensino Médio Integral, Atheneu Sergipense aprovou 11 alunos em primeiro lugar em universidades públicas. A escola ainda mobilizou encontros virtuais com nomes como Luiza Trajano e Mateus Solano

Com 150 anos de funcionamento, o Centro de Excelência Atheneu Sergipense ganhou repercussão com o grande número de aprovações no Enem 2020: 11 alunos do terceiro ano conquistaram o primeiro lugar em diversas Universidades Públicas do país. Considerada a escola mais antiga do Estado e uma das 5 precursoras do Brasil, o Atheneu é uma instituição pública de Ensino Médio Integral, modelo inovador que é centrado no Projeto de Vida dos estudantes.

O colégio tradicional conta hoje com mais de 960 alunos e foi o primeiro do Sergipe a implementar o Google Class, com ensino híbrido, logo no início da pandemia. Com tantos anos de história, o Atheneu também foi responsável pela educação de figuras ilustres da vida pública e política sergipense, como o ex-governador do Estado, Marcelo Déda.

Assim como para outras instituições, a pandemia trouxe desafios para a escola, especialmente porque há muitos professores de carreira (de outras gerações), que não tinham facilidade de ministrar as aulas virtualmente ou nem mesmo haviam tido contato com as plataformas de ensino.

"Para não deixar a escola parada na pandemia, conseguimos realizar uma grande cooperação entre alunos e professores e superar o desafio para promover aulas com qualidade. Fizemos uma parceria com a Universidade Tiradentes para oferecer uma formação rápida dos professores no ensino online. Nesse processo contamos também com a ajuda de algumas escolas particulares, que forneceram auxílio informal nas dúvidas do dia a dia", explica Daniel Lemos, diretor do Atheneu.

ENSINO MÉDIO INTEGRAL E REVOLUÇÃO DIGITAL

Por meio de uma proposta pedagógica multidimensional que se conecta à realidade dos jovens, a escola adotou o modelo de Ensino Médio Integral (EMI), que foca no Projeto de Vida dos jovens e no desenvolvimento das habilidades e competências socioemocionais. Uma iniciativa moderna, que busca o amadurecimento do indivíduo com o objetivo de prepará-lo não só para o mercado de trabalho ou para o vestibular, mas também para a vida. A ideia principal do EMI é também priorizar as escolas públicas localizadas em regiões de maior vulnerabilidade dos Estados e, assim, garantir a equidade de acesso dos alunos a uma educação de qualidade.

Mesmo com a crise sanitária e as políticas de isolamento social em voga no Brasil, o Atheneu Sergipense conseguiu superar os impasses e promover ações para engajar os estudantes. Por iniciativa dos alunos protagonistas da escola — que já realizavam encontros e discussões nos moldes da Assembleia da Organização das Nações Unidas — e uma ajudinha das redes sociais, surgiu a ideia de trazer personalidades como Luiza Trajano, Mariana Ferrão e Mateus Solano para participar de encontros e atividades online.

"Nós já fazíamos essa simulação entre os alunos, com temáticas relacionadas à democracia, países árabes, trabalho e direitos humanos. Por conta da pandemia, a gente precisou aproximar isso para a realidade que a gente tinha. Então, como vimos muita dificuldade dos professores em atuar com as novas tecnologias, nós procuramos trazer pessoas que estavam um pouco fora do eixo escolar, mas que faziam um trabalho bacana e que poderiam ajudar", conta Alex, um dos estudantes responsáveis pela revolução digital no Atheneu.

As iniciativas conseguiram englobar também alguns youtubers, como Iberê Thenório do canal "Manual do Mundo", e atrair o olhar de outros profissionais, como André Fatala, do Magazine Luiza, jornalistas da Globo local e empresários da região.

ONU MULHERES NO ATHENEU

Na palestra de Luiza Trajano, a estudante Lenice, de 17 anos, chamou a atenção da empresária por ser a única mulher entre os organizadores da ação. Luiza então ofereceu à jovem um conselho: que lutasse para garantir o seu lugar ali e desenvolvesse maneiras de ampliá-lo. Foi com esse empurrãozinho que Lenice resolveu desenvolver uma versão da ONU Mulheres na escola, com direção 100% feminina de alunas e professoras, para proporcionar discussões sobre o contexto feminino no Brasil, refletindo sobre temas como o aumento da violência contra as mulheres na pandemia.

"Para desenvolver essas discussões sobre temas tão importantes e engajar ainda mais os alunos, fizemos vários webinars, com bancadas compostas por mulheres de peso. Conseguimos que o projeto tivesse o apoio e participação de atrizes, jornalistas, influencers e até mesmo deputadas”, explica Lenice.

Em todo o Brasil são cerca de 3720 escolas no modelo e 778 mil estudantes. A modalidade apresentou crescimento exponencial no último IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), reforçando sua assertividade. Os índices de desempenho e rendimento também surpreendem. Enquanto a média nacional do IDEB foi de 3.9 pontos, o Ensino Médio Integral atingiu 4.7 pontos na média nacional, superando a meta Brasil de 4.6 pontos. Apesar de acumular os melhores resultados do Ensino Básico, o modelo, que promove a formação integral e cidadã dos jovens, ainda é pouco conhecido.

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