Feira florestal em Minas Gerais aponta crescimento e inovação no setor
Evento reuniu mais de dez países e apresentou avanços em automação e inteligência artificial para a cadeia florestal
A primeira edição da Expo Minas Florestal, realizada nesta semana, em Sete Lagoas (MG), consolidou Minas Gerais como um dos principais centros de discussão sobre inovação, tecnologia e desenvolvimento sustentável da cadeia florestal brasileira. O evento reuniu empresas, especialistas, pesquisadores, investidores e representantes de diversos países em torno das principais tendências que devem transformar o setor nos próximos anos.
Entre os destaques da edição estão as novidades tecnológicas apresentadas nos estandes e encontros técnicos que compõem a Semana Mineira da Indústria Florestal. Equipamentos de plantio, colheita e produção de biomassa chegam ao mercado incorporando sensores de alta precisão, sistemas inteligentes de monitoramento e recursos de inteligência artificial para análise de dados e apoio à tomada de decisão em campo.
A feira também foi escolhida por fabricantes globais como palco para lançamentos internacionais, reforçando o posicionamento estratégico de Minas Gerais dentro da cadeia florestal mundial. A finlandesa Ponsse realizou na Expo Minas Florestal o lançamento mundial da Buffalo Planter, sua primeira plantadeira florestal, além do novo cabeçote DH7, voltado ao descasque de eucalipto. Os equipamentos foram apresentados pela primeira vez durante o evento em Sete Lagoas, evidenciando a relevância do mercado sul-americano para o setor.
Segundo o CEO da Malinovski, empresa organizadora da feira, Ricardo Malinovski, o setor vive um momento de transformação impulsionado pela tecnologia e pela busca por maior competitividade. “Estamos vendo avanços importantes com máquinas que incorporam sensores extremamente precisos, sistemas inteligentes de monitoramento e recursos de inteligência artificial. Essas tecnologias trazem ganhos significativos de produtividade, maior eficiência operacional e redução de custos para as empresas”, explica.
Respondendo a escassez de mão de obra especializada, a tendência de equipamentos autônomos e semiautônomos também ganhou espaço nos debates da feira. Para Malinovski, a inovação tecnológica é condição essencial para manter a competitividade do setor florestal diante da disputa por áreas com outras culturas agrícolas. “O mundo precisa cada vez mais de produtos feitos a partir da madeira, e essa demanda tende a crescer nos próximos anos”, afirma.
O evento ocorre em terreno fértil. Minas Gerais lidera o ranking nacional de florestas plantadas, com mais de 2,3 milhões de hectares cultivados, sendo 96,8% deles de eucalipto, e tem presença da atividade florestal em 803 municípios, o que representa cerca de 94% do território estadual. A cadeia produtiva gera mais de 115 mil empregos diretos e indiretos e beneficia aproximadamente 615 mil pessoas por meio de projetos socioambientais.
Entre os apoiadores institucionais da feira, a Associação Mineira da Indústria Florestal (AMIF) se destaca na articulação do setor para a realização do evento. Para a presidente executiva da entidade, Adriana Maugeri, a Expo Minas Florestal representa um marco para a cadeia produtiva mineira. “Minas Gerais já ocupa uma posição estratégica no cenário nacional das florestas plantadas e precisava de um evento dessa dimensão voltado especificamente para o setor florestal mineiro. A Expo Minas Florestal fortalece conexões, amplia oportunidades de negócios e evidencia a relevância econômica, social e ambiental da nossa cadeia produtiva”, afirma.
Adriana destaca ainda que a feira se consolidou como um importante espaço de intercâmbio de tecnologias, experiências e melhores práticas, especialmente para pequenos e médios produtores florestais mineiros. Segundo ela, a circulação de conhecimento entre empresas, especialistas e produtores é um dos principais legados da iniciativa para o fortalecimento da competitividade do setor no estado.
A escolha de Sete Lagoas para sediar a feira também reforça o peso estratégico da região na cadeia florestal nacional. O município é considerado um polo regional de produção e consumo de florestas plantadas e concentra um grande número de empresas produtoras de ferro-gusa que utilizam integralmente o carvão vegetal na produção do chamado gusa verde, modelo reconhecido pelo menor impacto ambiental em comparação a outras matrizes energéticas da siderurgia.
Além do mercado mineiro, a feira também reforçou a relevância internacional da indústria florestal brasileira. Durante os três dias de programação, o evento recebeu visitantes de praticamente todos os estados brasileiros e representantes de países como África do Sul, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Finlândia, Peru e Uruguai. “Essa presença internacional reforça a posição do Brasil como referência mundial em silvicultura e produtividade florestal quando falamos em florestas plantadas. O país possui algumas das florestas mais produtivas do mundo, resultado de investimentos contínuos em genética, tecnologia, pesquisa, manejo e inovação”, aponta Malinovski.
O legado da feira, segundo o organizador, vai além dos negócios gerados durante os três dias de programação. Para ele, o principal ativo da Expo Minas Florestal está na circulação de conhecimento e na conexão entre os diferentes agentes da cadeia produtiva. “As pessoas visitam a feira, participam dos encontros técnicos, conhecem novas práticas e tecnologias e levam esse aprendizado de volta para suas empresas e regiões, contribuindo diretamente para o aumento da competitividade, da produtividade e da sustentabilidade do setor”, conclui.
Nenhum comentário