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Amor em tempos de ansiedade

Especialista alerta que relações modernas estão mais frágeis, superficiais e emocionalmente instáveis

Nunca houve tantas formas de conexão e, ao mesmo tempo, tantas dificuldades para criar vínculos profundos e duradouros. Em uma era marcada pela comunicação instantânea e pelas redes sociais, especialistas observam que muitas pessoas permanecem emocionalmente distantes, inseguras e solitárias, mesmo estando constantemente conectadas.

Segundo o psicólogo clínico Luti Christóforo, o sofrimento emocional relacionado aos relacionamentos afetivos tem aumentado significativamente nos consultórios. Ansiedade, medo de abandono, carência emocional, insegurança, dependência afetiva e dificuldade de comunicação estão entre as principais queixas de casais e também de pessoas solteiras que desejam viver relações saudáveis, mas encontram dificuldade em estabelecer conexões emocionalmente estáveis.

Um dos conceitos que ajudam a compreender esse cenário é o de “relacionamentos líquidos”, criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman. A teoria descreve relações frágeis, superficiais e instáveis, marcadas pela dificuldade de compromisso e pela tendência de substituir pessoas rapidamente diante de frustrações, conflitos ou dificuldades naturais da convivência humana.

De acordo com Luti, muitas pessoas desejam viver grandes histórias de amor, mas apresentam medo da profundidade emocional que um relacionamento verdadeiro exige. “Muitas pessoas querem intensidade, mas sem paciência. Querem conexão, mas sem vulnerabilidade. Querem presença, mas sem responsabilidade afetiva”, afirma o psicólogo.

Os aplicativos de namoro e as redes sociais também transformaram profundamente a forma como as pessoas se relacionam. Se por um lado aproximaram pessoas que talvez nunca se encontrassem, por outro criaram a sensação constante de que sempre existe alguém “melhor” disponível. Para especialistas, isso contribui para relações mais descartáveis e emocionalmente frágeis.

Outro comportamento cada vez mais comum é o chamado ghosting, quando uma pessoa desaparece sem explicações após criar um vínculo afetivo. Para quem sofre esse afastamento repentino, as consequências emocionais podem ser profundas, provocando rejeição, ansiedade, baixa autoestima e insegurança emocional.

As redes sociais também intensificaram as comparações dentro dos relacionamentos. Muitos casais passam a acreditar que relações felizes são perfeitas o tempo todo, criando padrões irreais de felicidade. “As pessoas acabam comparando sua vida real com recortes idealizados da internet, o que gera cobranças excessivas e frustração constante dentro das relações”, explica Luti.

Outro ponto observado pelo especialista é o crescimento silencioso da solidão emocional. Existem pessoas acompanhadas que se sentem profundamente sozinhas, além de casais que convivem diariamente, mas perderam a capacidade de dialogar, ouvir, acolher e se conectar emocionalmente de forma verdadeira.

Além disso, muitos adultos carregam para seus relacionamentos feridas emocionais antigas. Traumas, abandono, rejeições, baixa autoestima e inseguranças acabam interferindo diretamente na forma de amar. “Pessoas emocionalmente feridas muitas vezes desenvolvem medo de confiar, excesso de ciúme, necessidade constante de validação ou dificuldade de se entregar emocionalmente”, destaca.

Para o psicólogo, relacionamentos saudáveis exigem maturidade emocional. “Amar não é apenas sentir. Amar também envolve diálogo, empatia, respeito, paciência, responsabilidade afetiva e disposição para enfrentar dificuldades sem transformar qualquer frustração em motivo para desistir”, finaliza.

Serviço: Luti Christóforo
Psicólogo Clínico
(41) 99809-8887
@luti.psicologo
lutipsicologo@gmail.com
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